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Santo

São Vicente de Lérins

São Vicente de Lérins
Icon of St Vincent of Lerins by Bojan Teodosijević · Bojan Teodosijević · CC BY 4.0 · origem

Gália, data de nascimento desconhecida · Lérins, antes de 450 · santo por tradição antiga, sem canonização formal

  • Teólogos e catequistas (por tradição)
  • Abadia de Lérins
“Na Igreja católica é preciso cuidar muito para que mantenhamos aquilo que foi crido em toda parte, sempre e por todos.”
Commonitório, capítulo 2, escrito por volta de 434 com o pseudônimo de Peregrino. Texto latino em domínio público ("quod ubique, quod semper, quod ab omnibus creditum est"). Tradução do portal.

Página em conferência. O texto foi redigido pelo portal a partir das fontes indicadas e ainda está sendo revisado; datas e detalhes podem ser ajustados.

Vida

Sabemos pouco da vida de Vicente. Ele mesmo conta, no início do Commonitório, que viveu primeiro "no meio das agitações do mundo" e depois se refugiou num mosteiro isolado, para fugir do barulho das cidades. Uma tradição antiga diz que antes foi soldado. O mosteiro era o de Lérins, fundado por Santo Honorato numa ilha diante de Cannes, onde ele foi monge e padre.

Por volta de 434, três anos depois do Concílio de Éfeso, escreveu com o pseudônimo de Peregrino o Commonitório, uma espécie de lembrete pessoal para não esquecer como distinguir a fé verdadeira das novidades que a deformam. Ali formulou o critério que o tornou famoso: é católico aquilo que foi crido em toda parte, sempre e por todos. Explicou também que a doutrina cresce como um corpo, que se desenvolve sem deixar de ser o mesmo.

São Euquério de Lyon, que o conheceu em Lérins, o elogia como homem de grande eloquência e saber. Vicente morreu antes de 450, no mosteiro. Como algumas expressões suas parecem desconfiar da teologia da graça de Santo Agostinho, há estudiosos que o ligam ao grupo de monges da Provença que discutiam com os discípulos de Agostinho. A Igreja, porém, sempre o venerou como santo e cita seu critério da Tradição até hoje.

Fontes: O próprio Commonitório (c. 434); Genádio de Marselha, Sobre os homens ilustres, capítulo 64; Euquério de Lyon, Instruções; Concílio Vaticano I, constituição Dei Filius (1870), e papa Bento XVI, que citaram o Commonitório.

O que nos ensina

Vicente ensina a amar a fé recebida dos apóstolos e a guardá-la com fidelidade, sem medo de que ela cresça. Ensina que a verdadeira novidade na Igreja é um aprofundamento, nunca uma ruptura: a semente vira árvore e continua sendo a mesma planta. Para quem canta e ensina, é um convite a beber das fontes e a não trocar a fé da Igreja por gostos passageiros.

Milagres

  1. Tradição

    Nenhum milagre registrado

    As fontes antigas não atribuem milagres a Vicente. Ele é lembrado pela santidade de vida no mosteiro e pela obra que deixou, que é o seu verdadeiro legado.

“Reconhecido” = examinado nos processos de beatificação e canonização ou narrado nas fontes oficiais. “Tradição” = relato devoto, sem exame formal.

Curiosidades

  • Escreveu com o pseudônimo de Peregrino, porque se via como um estrangeiro de passagem neste mundo.
  • Seu critério "em toda parte, sempre e por todos" é chamado até hoje de "cânon vicentino" nos cursos de teologia.
  • A imagem da doutrina que cresce como um corpo foi citada pelo Concílio Vaticano I e inspirou São John Henry Newman no estudo sobre o desenvolvimento da doutrina.
  • O Commonitório tinha duas partes, mas a segunda se perdeu; só sobrou um resumo feito pelo próprio autor.
  • Uma tradição diz que era irmão de São Lupo de Troyes, outro monge de Lérins, cuja página também está no portal.

Oração

São Vicente de Lérins, monge humilde e guardião da fé dos apóstolos, ensina-nos a amar a Tradição viva da Igreja. Livra-nos das novidades que afastam de Cristo e dá-nos coragem para crescer na fé sem perder as raízes. Que a nossa catequese e o nosso canto transmitam fielmente aquilo que a Igreja sempre creu e celebrou. Amém.

Oração redigida pelo portal Músico Católico.

Para retiro, encontro ou evento

Tema
Raízes que fazem crescer
Lema
"Guarda o bom depósito"
Leitura
2Tm 1,13-14 e Mc 4,26-32 (sugeridas)
Público
Catequistas, crisma, ministérios de música, grupos de formação
  1. 1Recordar: cada um lembra quem lhe transmitiu a fé e o que dessa pessoa ficou.
  2. 2Discernir: conversar sobre o que, na nossa prática, é raiz da fé e o que é só moda ou gosto pessoal.
  3. 3Fazer crescer: escolher um ponto da fé para estudar no mês, com o Catecismo.

Dinâmica: "A árvore da fé", 40 min · cartolina, canetas e o Catecismo. O grupo desenha uma árvore: nas raízes, o que recebemos dos apóstolos; nos galhos, como isso se vive hoje. Termina com o Credo cantado.

Quando celebrar

24 de maio · Fora do calendário · Branco

Não está no Calendário Romano Geral. É lembrado no Martirológio Romano em 24 de maio e celebrado na abadia de Lérins e na diocese de Fréjus-Toulon.

Santuários e devoção

  • Mosteiro: Abadia de Lérins, ilha de Saint-Honorat, diante de Cannes (França), ainda habitada por monges cistercienses