Santo
São Simeão e Santa Ana, a profetisa

Jerusalém, século I a.C. e início do século I · morte em data desconhecida
- Idosos (título popular)
- Os que esperam com paciência (título popular)
“Agora, Senhor, deixa o teu servo ir em paz, segundo a tua palavra, porque os meus olhos viram a tua salvação.”
Página em conferência. O texto foi redigido pelo portal a partir das fontes indicadas e ainda está sendo revisado; datas e detalhes podem ser ajustados.
Vida
Quarenta dias depois do nascimento de Jesus, Maria e José o levaram ao Templo de Jerusalém para apresentá-lo ao Senhor, como mandava a Lei. Ali vivia Simeão, um homem "justo e piedoso, que esperava a consolação de Israel". O Espírito Santo lhe tinha revelado que não morreria sem ver o Cristo do Senhor. Movido pelo Espírito, foi ao Templo, tomou o Menino nos braços e bendisse a Deus com o cântico que a Igreja reza até hoje: "Agora, Senhor, deixa o teu servo ir em paz" (Lc 2,25-32).
Simeão abençoou Maria e José e disse a Maria que o Menino seria "sinal de contradição" e que uma espada lhe atravessaria a alma (Lc 2,34-35). Naquele mesmo momento chegou Ana, uma profetisa, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Tinha vivido sete anos casada, ficara viúva e estava com oitenta e quatro anos (o texto também pode ser lido como viúva havia oitenta e quatro anos). Não saía do Templo, servindo a Deus noite e dia com jejuns e orações. Ela louvava a Deus e falava do Menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém (Lc 2,36-38).
O Evangelho não diz mais nada sobre os dois. A tradição posterior fez de Simeão um sacerdote ou um ancião muito idoso, e uma lenda dizia que ele era um dos tradutores da Bíblia grega que duvidou da profecia da virgem que conceberia; isso não tem base histórica. A Igreja os vê como figuras do povo fiel de Israel, que esperou o Messias com paciência e o reconheceu num bebê pobre.
Fontes: Evangelho segundo Lucas 2,22-38. Liturgia das Horas, Completas (cântico de Simeão); Catecismo da Igreja Católica, §529 e §583; Martirológio Romano (comemoração de Simeão e Ana, em 3 de fevereiro).
O que nos ensina
Simeão e Ana ensinam a esperar com fé. Viveram a vida inteira à espera da promessa de Deus e não desistiram na velhice. Ensinam que os idosos têm uma missão na Igreja: rezar, reconhecer a ação de Deus e contar aos outros. Para os músicos, Simeão é um presente: o seu cântico, o Nunc dimittis, é rezado todas as noites nas Completas e foi musicado por compositores de muitas épocas. É a oração de quem termina o dia, ou a vida, em paz, porque viu a salvação.
Milagres
- Reconhecido
O encontro com o Menino no Templo
Não é um milagre de cura, mas um sinal contado por Lucas: o Espírito Santo conduziu Simeão ao Templo no momento exato e lhe permitiu reconhecer o Messias num bebê. É a cena que a Igreja celebra na Festa da Apresentação do Senhor, em 2 de fevereiro.
- Tradição
O tradutor que duvidou
Uma lenda bizantina diz que Simeão era um dos setenta tradutores da Bíblia hebraica para o grego e que, ao traduzir "uma virgem conceberá" (Is 7,14), duvidou; um anjo lhe teria prometido que viveria até ver isso acontecer, e por isso teria vivido mais de duzentos anos. É lenda, sem valor histórico.
“Reconhecido” = examinado nos processos de beatificação e canonização ou narrado nas fontes oficiais. “Tradição” = relato devoto, sem exame formal.
Curiosidades
- O Nunc dimittis ("Agora deixas") é cantado todas as noites nas Completas, a oração da Igreja antes de dormir, com a antífona "Salvai-nos, Senhor, quando velamos".
- O cântico foi musicado por muitos compositores. Entre os mais conhecidos estão a versão de Rachmaninoff nas Vésperas (Vigília de toda a noite, op. 37, 1915) e as muitas versões da tradição coral anglicana. É um ótimo repertório para coros.
- A Festa da Apresentação do Senhor, em 2 de fevereiro, também é chamada de Festa das Candeias ou da Luz, porque Simeão chamou Jesus de "luz para iluminar as nações". Por isso há bênção e procissão de velas nesse dia.
- No Oriente, a festa de 2 de fevereiro se chama "Hypapante", que quer dizer "Encontro": o encontro de Deus com o seu povo, representado pelos dois anciãos.
- Ana é a única mulher do Novo Testamento chamada expressamente de "profetisa" (Lc 2,36).
- A igreja de São Simeão, em Zadar (Croácia), guarda uma arca de prata do século XIV com um corpo que a tradição local diz ser de Simeão.
Oração
São Simeão e Santa Ana, que esperastes a vida inteira e reconhecestes o Salvador num Menino pobre, ensinai-nos a esperar em Deus sem desanimar. Abençoai os idosos, os doentes e os que se sentem esquecidos, e dai-lhes a alegria de anunciar Jesus. Que, ao cantar o vosso cântico no fim de cada dia, possamos dizer com paz: os meus olhos viram a tua salvação. Amém.
Oração redigida pelo portal Músico Católico.
Para retiro, encontro ou evento
- Tema
- Esperar e reconhecer a luz
- Lema
- "Os meus olhos viram a tua salvação"
- Leitura
- Lc 2,22-38 (sugerida)
- Público
- Ministérios de música, coros, grupos da terceira idade, pastoral da pessoa idosa, encontros entre gerações
- 1Esperar: lembrar em silêncio uma promessa ou um pedido que espero de Deus há muito tempo.
- 2Reconhecer: partilhar onde já vi a salvação de Deus na minha vida, mesmo em coisas pequenas.
- 3Anunciar: como Ana, escolher alguém a quem vou contar essa experiência nesta semana.
Dinâmica: "Completas cantadas", 30 min · velas acesas, leitura de Lc 2,25-32 e canto do Nunc dimittis em português ou em latim, alternando dois coros. Se possível, convidar idosos da comunidade para partilhar a sua história de fé com os jovens.
Quando celebrar
3 de fevereiro · Fora do calendário · Branco
Não têm celebração própria no Calendário Romano Geral. São lembrados no Martirológio Romano em 3 de fevereiro, um dia depois da Festa da Apresentação do Senhor (2 de fevereiro, Festa, cor branca), que é o melhor dia para recordá-los na liturgia. No Oriente, a memória deles também é em 3 de fevereiro.
Santuários e devoção
- Lugar: Esplanada do antigo Templo, Jerusalém, onde aconteceu a Apresentação
- Relíquia: Igreja de São Simeão, Zadar (Croácia), com a arca de prata atribuída ao santo