Santo
São Romano, o Melodista

Emesa (atual Homs, Síria), fim do século V · Constantinopla, c. 556
- Compositores de música sacra
- Cantores e salmistas
- Poetas cristãos
“Hoje a Virgem dá à luz Aquele que está acima de todo ser.”
Página em conferência. O texto foi redigido pelo portal a partir das fontes indicadas e ainda está sendo revisado; datas e detalhes podem ser ajustados.
Vida
Romano nasceu em Emesa, na Síria, provavelmente numa família de origem judaica que se tornou cristã. Foi diácono na igreja da Ressurreição, em Berito (atual Beirute), e mudou-se para Constantinopla no tempo do imperador Anastácio I (491 a 518). Ali serviu na igreja da Mãe de Deus, no bairro de Kyros.
A tradição conta que ele não tinha boa voz nem talento especial, e que os colegas zombavam dele. Numa noite de Natal, depois de rezar diante do ícone de Maria, adormeceu e sonhou que ela lhe dava um rolo de papel para comer. Ao acordar, subiu ao ambão e cantou, de improviso, o hino do Natal que começa com "Hoje a Virgem dá à luz". A partir daí, compôs centenas de hinos.
Seus hinos se chamam kontakia: longos poemas cantados, com muitas estrofes e um refrão que o povo repetia, contando os mistérios da fé e as cenas do Evangelho como pequenos dramas. A tradição fala em cerca de mil; hoje se conhecem por volta de oitenta atribuídos a ele com segurança. Morreu em Constantinopla por volta de 556, no tempo de Justiniano.
Fontes: Os próprios kontakia (edições críticas de Paul Maas e C. A. Trypanis, 1963, e de José Grosdidier de Matons, 1964 a 1981); sinaxários bizantinos, que trazem o relato do sonho; Martirológio Romano, 1º de outubro.
O que nos ensina
Romano ensina que a música na liturgia é uma forma de anunciar o Evangelho: seus hinos contavam a fé para o povo, e o povo respondia cantando o refrão. Ensina também que o dom vem de Deus, e não da vaidade: quem não tinha voz nem prestígio se tornou o maior poeta da Igreja bizantina. Para quem serve num ministério de música, é um lembrete de que o canto nasce da oração.
Milagres
- Tradição
O rolo de papel na noite de Natal
Os sinaxários bizantinos contam que Maria apareceu a ele em sonho e lhe deu um rolo para comer, e que, ao acordar, ele cantou pela primeira vez o kontakion do Natal. O relato lembra a visão do profeta Ezequiel (Ez 3,1-3) e é tradição da Igreja oriental.
“Reconhecido” = examinado nos processos de beatificação e canonização ou narrado nas fontes oficiais. “Tradição” = relato devoto, sem exame formal.
Curiosidades
- O hino do Natal de Romano foi cantado todos os anos no banquete de Natal da corte de Constantinopla durante séculos.
- Cada kontakion tinha um acróstico: as primeiras letras das estrofes formavam uma frase, muitas vezes com a assinatura "do humilde Romano".
- O Hino Akathistos, um dos mais famosos da Igreja oriental em honra de Maria, já foi atribuído a ele, mas a autoria é discutida pelos estudiosos.
- Ele escreveu em grego simples, perto da língua falada, para que o povo entendesse o que cantava.
- Muitos estudiosos o chamam de "Píndaro da poesia rítmica cristã".
Oração
São Romano, que recebeste de Deus o dom do canto quando te sentias pequeno e sem voz, intercede pelos músicos e cantores das nossas comunidades. Livra-nos da vaidade e do medo, e ensina-nos a cantar a fé de modo que o povo entenda e responda. Que cada hino nosso nasça da oração e conduza a Cristo, nascido da Virgem. Amém.
Oração redigida pelo portal Músico Católico.
Para retiro, encontro ou evento
- Tema
- O canto que nasce da oração
- Lema
- "Hoje a Virgem dá à luz"
- Leitura
- Ez 3,1-4 (sugerida)
- Público
- Ministérios de música, coros, salmistas, grupos de jovens que cantam na Missa
- 1Silêncio: antes de cantar, rezar: o que eu quero anunciar com a minha voz?
- 2Palavra: ler em grupo uma cena do Evangelho e resumir o mistério em uma frase.
- 3Refrão: transformar essa frase num refrão simples, que a assembleia possa repetir.
Dinâmica: "O nosso kontakion", 45 min · Bíblia, papel, violão. Cada grupo escreve duas estrofes sobre uma cena do Evangelho com um refrão comum; no fim, todos cantam o refrão entre as estrofes.
Quando celebrar
1º de outubro · Fora do calendário · Branco
Não está no Calendário Romano Geral. Consta no Martirológio Romano em 1º de outubro, a mesma data em que as Igrejas orientais o celebram. No Brasil, 1º de outubro é memória de Santa Teresinha.
Santuários e devoção
- Onde viveu: Constantinopla (atual Istambul, Turquia); a igreja de Kyros não existe mais
- Onde se canta: Liturgia bizantina, nas Igrejas ortodoxas e católicas orientais (no Brasil, por exemplo, a Igreja Greco-Melquita)