Santo
São Policarpo de Esmirna

c. 69 · Esmirna (atual Izmir, Turquia), c. 155 ou 156 · venerado como mártir desde a Antiguidade
- Esmirna (Izmir)
- Doentes de ouvido (devoção popular)
“Há oitenta e seis anos eu o sirvo, e ele nunca me fez mal algum. Como posso blasfemar contra o meu Rei, que me salvou?”
Página em conferência. O texto foi redigido pelo portal a partir das fontes indicadas e ainda está sendo revisado; datas e detalhes podem ser ajustados.
Vida
Policarpo foi bispo de Esmirna, na Ásia Menor. Santo Ireneu de Lião, que o conheceu quando menino, conta que ele foi discípulo do apóstolo João e de outros que tinham visto o Senhor, e que repetia o que ouvira deles. É, por isso, uma ponte viva entre os apóstolos e as gerações seguintes.
Recebeu uma carta de Santo Inácio de Antioquia, que passou por Esmirna a caminho do martírio, e escreveu ele mesmo uma Carta aos Filipenses, que chegou até nós. Já idoso, foi a Roma conversar com o papa Aniceto sobre a data da Páscoa: não chegaram a acordo, mas celebraram juntos a Eucaristia e se despediram em paz.
Numa perseguição, a multidão pediu a sua morte. Levado ao estádio, o procônsul mandou que jurasse pelo imperador e amaldiçoasse Cristo. Ele respondeu que servia a Cristo havia 86 anos. Condenado à fogueira, rezou uma longa oração de ação de graças. Segundo o relato, o fogo não o queimou, e um carrasco o matou com um punhal. O relato do seu martírio é o mais antigo que se conhece fora do Novo Testamento.
Fontes: Martírio de Policarpo (carta da Igreja de Esmirna, século II); Carta aos Filipenses, do próprio Policarpo; Santo Inácio de Antioquia, Carta a Policarpo; Santo Ireneu, Contra as heresias III,3,4; Eusébio de Cesareia, História Eclesiástica IV e V.
O que nos ensina
Policarpo ensina a fidelidade de uma vida inteira: 86 anos servindo a Cristo, até o fim. Ensina a guardar com cuidado a fé recebida dos apóstolos e mostra, no encontro com o papa Aniceto, que é possível discordar sobre costumes e continuar unido na mesma fé e na mesma Eucaristia.
Milagres
- Tradição
O fogo que não o queimou
O relato da Igreja de Esmirna diz que as chamas formaram um arco em volta dele, como a vela de um barco ao vento, e que seu corpo brilhava "como pão que se assa", com perfume de incenso. Foi preciso que um carrasco o ferisse com um punhal. É um relato contemporâneo, de testemunhas, mas o fato extraordinário não foi examinado como milagre.
- Tradição
A visão do travesseiro em chamas
Três dias antes de ser preso, ele viu em sonho o travesseiro pegando fogo e disse aos companheiros: "Devo ser queimado vivo." O episódio está no Martírio de Policarpo.
“Reconhecido” = examinado nos processos de beatificação e canonização ou narrado nas fontes oficiais. “Tradição” = relato devoto, sem exame formal.
Curiosidades
- O Martírio de Policarpo é o primeiro texto cristão que chama um mártir de santo e fala em celebrar o "dia do nascimento" do mártir, isto é, o dia da morte, costume que a Igreja mantém até hoje.
- É também o primeiro texto conhecido a usar a expressão "Igreja católica" no sentido da Igreja espalhada pelo mundo, depois de Santo Inácio.
- Santo Ireneu se lembrava, já velho, do lugar onde Policarpo se sentava para ensinar e de como ele falava de João.
- A discussão com o papa Aniceto sobre a data da Páscoa é um dos primeiros sinais conhecidos de diálogo entre Igrejas do Oriente e do Ocidente.
- Em Izmir, a igreja de São Policarpo, de 1625, é a igreja cristã mais antiga da cidade.
Oração
São Policarpo, discípulo dos apóstolos e mártir fiel, que serviste a Cristo a vida inteira e não o negaste diante da morte, dá-nos uma fé firme até o fim. Ensina-nos a guardar a fé recebida, a viver em paz com quem pensa diferente e a agradecer a Deus em todas as horas. Amém.
Oração redigida pelo portal Músico Católico.
Para retiro, encontro ou evento
- Tema
- Fiéis até o fim
- Lema
- "Há oitenta e seis anos eu o sirvo"
- Leitura
- Ap 2,8-11 (sugerida: a carta à Igreja de Esmirna)
- Público
- Grupos de terceira idade, catequistas, ministérios antigos de música, crisma
- 1Recordar: desenhar uma linha do tempo da própria fé: quem me passou a fé e quando.
- 2Agradecer: escrever uma oração de ação de graças, como a que Policarpo rezou antes de morrer.
- 3Transmitir: escolher alguém mais novo a quem contar, nesta semana, como a fé chegou até mim.
Dinâmica: "Corrente da fé", 40 min · fitas coloridas. Cada participante diz o nome de quem lhe ensinou a fé e amarra sua fita na do vizinho; no fim, a corrente rodeia o altar e todos rezam o Credo.
Quando celebrar
23 de fevereiro · Memória · Vermelho
Na Quaresma, a memória só pode ser lembrada na oração do dia.
Santuários e devoção
- Igreja: Igreja de São Policarpo, Izmir (Turquia)
- Relíquias (tradição): Igreja de Sant'Ambrogio della Massima, Roma (Itália)