Santo
São Pedro Claver

Verdú, Catalunha (Espanha), 1580 · Cartagena das Índias (Colômbia), 8 de setembro de 1654 · canonizado em 1888
- Missões entre os povos africanos e afrodescendentes
- Colômbia
- Defensores dos direitos humanos (Colômbia)
“Pedro Claver, escravo dos negros para sempre.”
Página em conferência. O texto foi redigido pelo portal a partir das fontes indicadas e ainda está sendo revisado; datas e detalhes podem ser ajustados.
Vida
Pedro nasceu numa família de agricultores da Catalunha e estudou em Barcelona. Em 1602 entrou na Companhia de Jesus. No colégio de Palma de Maiorca conheceu o irmão porteiro Afonso Rodrigues, homem simples e santo, que o animou a ir como missionário à América. Em 1610 desembarcou em Cartagena das Índias, um dos maiores portos de comércio de pessoas escravizadas trazidas da África.
Ordenado padre em 1616, juntou-se ao padre Alonso de Sandoval no trabalho com os africanos que chegavam nos navios negreiros, depois de semanas em porões imundos. Pedro corria ao porto assim que um navio era avistado, levando água, comida, remédios e intérpretes. Lavava feridas, cuidava dos doentes, abraçava os moribundos, ensinava a fé com imagens e por meio dos intérpretes, e batizava. Visitava também os hospitais, os leprosos e os presos.
Trabalhou assim por quase quarenta anos. Nos últimos quatro, paralisado por uma doença, ficou esquecido num quarto do colégio, às vezes maltratado pelo homem encarregado de cuidar dele. Morreu em 8 de setembro de 1654. Foi beatificado por Pio IX em 1851 e canonizado por Leão XIII em 1888, no mesmo dia que seu mestre, Santo Afonso Rodrigues.
Fontes: Processo de beatificação aberto em Cartagena (1658 e anos seguintes), com testemunhos de intérpretes e de pessoas que ele atendeu; José Fernández, Vida do Venerável Padre Pedro Claver (1666); Alonso de Sandoval, De instauranda Aethiopum salute (1627), que descreve o trabalho no porto; papa Leão XIII, que o declarou padroeiro das missões entre os africanos (1896).
O que nos ensina
Pedro Claver ensina que a dignidade de cada pessoa vem de Deus e que nenhum sistema, por mais aceito que seja na sua época, pode apagá-la. Mostra uma caridade que começa pelo corpo (água, remédio, abraço) antes das palavras. Para o Brasil, que também recebeu milhões de africanos escravizados, ele é um convite a olhar essa história com verdade e a lutar contra o racismo hoje.
Milagres
- Reconhecido
Milagres da beatificação e da canonização
Para a beatificação (1851) e a canonização (1888), a Igreja examinou curas atribuídas à sua intercessão, segundo as normas da época.
- Tradição
Os batismos sem conta
A tradição diz que ele batizou cerca de 300 mil pessoas em quarenta anos. O número aparece nas biografias antigas e não pode ser conferido; o que os testemunhos mostram é um trabalho diário e incansável no porto e nos hospitais.
“Reconhecido” = examinado nos processos de beatificação e canonização ou narrado nas fontes oficiais. “Tradição” = relato devoto, sem exame formal.
Curiosidades
- Levava consigo intérpretes africanos de várias línguas, muitos deles também escravizados, que a Companhia de Jesus mantinha para esse trabalho.
- Usava pinturas e imagens para ensinar a fé a quem não falava espanhol, com cenas de Cristo crucificado derramando sangue sobre os batizados.
- Os jesuítas de Cartagena também tinham escravizados a seu serviço, como quase todas as instituições da época. É uma contradição que a história registra junto com a dedicação dele.
- Na Colômbia, 9 de setembro é o Dia Nacional dos Direitos Humanos, em sua homenagem.
- O corpo dele está sob o altar da igreja que leva o seu nome, em Cartagena, ao lado do antigo colégio onde viveu.
Oração
São Pedro Claver, que te fizeste servo dos escravizados e viste neles o rosto de Cristo, ensina-nos a reconhecer a dignidade de cada pessoa. Dá-nos coragem para enfrentar o racismo e toda forma de exploração, e mãos prontas para cuidar de quem sofre. Intercede pelos povos africanos e afrodescendentes e pelo nosso Brasil. Amém.
Oração redigida pelo portal Músico Católico.
Para retiro, encontro ou evento
- Tema
- Ver Cristo em quem a sociedade descarta
- Lema
- "Escravo dos negros para sempre"
- Leitura
- Mt 25,31-40 (sugerida)
- Público
- Jovens, crisma, pastoral afro, pastorais sociais, ministérios de música
- 1Lembrar: conhecer um trecho da história da escravidão no Brasil e na nossa região, com uma fonte séria.
- 2Reconhecer: em silêncio, perguntar: quem eu deixo de ver como irmão por causa da cor, da pobreza ou da origem?
- 3Servir: escolher um gesto concreto de cuidado com alguém excluído da comunidade nesta semana.
Dinâmica: "Mãos antes das palavras", 40 min · bacia, água, toalhas, cantos. Momento orante de lava-pés entre os participantes, seguido de partilha sobre servir antes de falar. Cuidado: tratar a história da escravidão com respeito e, se possível, com a participação de pessoas negras da comunidade.
Quando celebrar
9 de setembro · Fora do calendário · Branco
Morreu em 8 de setembro, festa da Natividade de Nossa Senhora, por isso é lembrado no dia 9. Não está no Calendário Romano Geral; é celebrado na Colômbia, nos Estados Unidos e entre os jesuítas. Confirmar se algum calendário do Brasil o inclui.
Santuários e devoção
- Túmulo: Igreja e Santuário de São Pedro Claver, Cartagena das Índias (Colômbia)
- Terra natal: Santuário da casa natal, Verdú, Catalunha (Espanha)