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Santo

São João Damasceno

São João Damasceno
Nuremberg chronicles f 138r 3 · Michel Wolgemut, Wilhelm Pleydenwurff (Text: Hartmann Schedel) · domínio público · origem

Damasco (Síria), c. 675 · mosteiro de São Sabas, perto de Jerusalém, c. 749 · doutor da Igreja em 1890

  • Pintores de ícones e artistas sacros
  • Farmacêuticos
  • Teólogos
“Não adoro a matéria, mas adoro o Criador da matéria, que por mim se fez matéria.”
Primeiro Discurso contra os que atacam as imagens sagradas, n. 16 (c. 730). Tradução do portal a partir do grego.

Página em conferência. O texto foi redigido pelo portal a partir das fontes indicadas e ainda está sendo revisado; datas e detalhes podem ser ajustados.

Vida

João nasceu em Damasco, numa família cristã de língua grega chamada Mansur, que servia na administração dos califas omíadas. O pai cuidava das finanças do califado, e o próprio João ocupou cargos na corte, numa cidade governada por muçulmanos onde os cristãos ainda eram muitos.

Por volta do começo do século VIII, deixou tudo e entrou no mosteiro de São Sabas, no deserto da Judeia, onde foi ordenado padre. Quando o imperador bizantino Leão III, em 726, começou a combater o uso das imagens sagradas, João, que vivia fora do Império, escreveu três Discursos em defesa dos ícones: se Deus se fez homem e visível em Jesus, pode ser representado.

Escreveu também a Fonte do Conhecimento, cuja terceira parte, a Exposição da fé ortodoxa, foi uma das primeiras sínteses de toda a doutrina cristã, muito lida no Oriente e no Ocidente. Compôs hinos e cânones para a liturgia, entre eles o cânone da Páscoa ainda cantado nas Igrejas orientais. Morreu em São Sabas por volta de 749. O Concílio de Niceia II (787) confirmou a doutrina que ele defendeu, e Leão XIII o declarou doutor da Igreja em 1890.

Fontes: Os próprios escritos (Discursos contra os que atacam as imagens, Fonte do Conhecimento, hinos); Vida árabe atribuída a Miguel de Antioquia (século XI); papa Bento XVI, catequese sobre São João Damasceno (2009).

O que nos ensina

João ensina que a fé cristã envolve o corpo e os sentidos: porque Deus se fez carne, a matéria, as imagens, a música e os gestos podem nos levar a Ele. Ensina a distinguir a veneração das imagens da adoração, que é só para Deus. E mostra que estudar a fé com cuidado e cantar a fé com beleza são duas formas do mesmo amor.

Milagres

  1. Tradição

    A mão restituída

    Uma tradição registrada na Vida do século XI conta que o califa, enganado por uma carta falsa, mandou cortar a mão direita de João, e que, depois de rezar diante de um ícone de Maria, ele a encontrou curada. Em agradecimento, teria acrescentado ao ícone uma mão de prata, origem do ícone chamado "Tricherusa", "a de três mãos". É tradição, sem confirmação histórica.

“Reconhecido” = examinado nos processos de beatificação e canonização ou narrado nas fontes oficiais. “Tradição” = relato devoto, sem exame formal.

Curiosidades

  • É chamado de "o último dos Padres da Igreja" no Oriente.
  • O ícone da Mãe de Deus "de três mãos" (Tricherusa) é venerado até hoje no mosteiro de Hilandar, no Monte Atos.
  • A ele se atribui tradicionalmente a organização do Octoeco, o sistema de oito tons da música bizantina, embora os estudiosos vejam ali um trabalho de várias gerações.
  • Muitos hinos da liturgia bizantina de Páscoa, como "É o dia da Ressurreição", vêm do cânone pascal composto por ele.
  • Escreveu numa época em que Damasco era a capital do califado omíada e foi um dos primeiros cristãos a escrever sobre o islã.

Oração

São João Damasceno, que defendeste a beleza das imagens e cantaste a Ressurreição com hinos que atravessam os séculos, ensina-nos a reconhecer Deus presente no mundo que Ele criou e assumiu. Ajuda os artistas, os músicos e os catequistas a servir a fé com verdade e beleza. Que a nossa liturgia seja um reflexo da glória do Ressuscitado. Amém.

Oração redigida pelo portal Músico Católico.

Para retiro, encontro ou evento

Tema
Ver e cantar o Deus que se fez visível
Lema
"O Verbo se fez carne"
Leitura
Jo 1,14-18 (sugerida)
Público
Ministérios de música, equipes de liturgia, catequistas, artistas
  1. 1Contemplar: diante de um ícone ou imagem, cinco minutos de silêncio: o que esta imagem me diz de Deus?
  2. 2Distinguir: conversar sobre a diferença entre venerar uma imagem e adorar a Deus, com o Catecismo §2131-2132.
  3. 3Cantar: escolher um canto de Páscoa e reparar como ele "pinta" a Ressurreição com palavras.

Dinâmica: "Ícone e hino", 45 min · imagens sacras impressas, papel, lápis de cor, violão. Cada grupo escolhe uma imagem, escreve três frases sobre o que ela anuncia e as transforma num pequeno refrão.

Quando celebrar

4 de dezembro · Memória facultativa · Branco

Cai no Advento. Nas Igrejas orientais, também é lembrado em 4 de dezembro.

Santuários e devoção

  • Onde viveu: Mosteiro de São Sabas (Mar Saba), no deserto da Judeia, onde se mostra o seu primeiro túmulo
  • Ícone ligado a ele: Mãe de Deus "de três mãos", mosteiro de Hilandar, Monte Atos (Grécia)