Santo
São Januário

Provavelmente Nápoles ou Benevento (Itália), século III · Pozzuoli, perto de Nápoles, c. 305
- Nápoles
- Proteção contra erupções vulcânicas (devoção popular)
- Doadores de sangue (devoção popular)
“Eles venceram por causa do sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho, e não amaram a própria vida a ponto de temer a morte.”
Página em conferência. O texto foi redigido pelo portal a partir das fontes indicadas e ainda está sendo revisado; datas e detalhes podem ser ajustados.
Vida
Sabe-se pouco, com segurança, da vida de Januário. A tradição diz que foi bispo de Benevento, no sul da Itália, no fim do século III. Durante a grande perseguição do imperador Diocleciano, ele teria ido visitar cristãos presos e acabou preso também.
Por volta do ano 305, foi decapitado em Pozzuoli, perto da cratera da Solfatara, junto com outros cristãos, entre eles o diácono Sósio de Miseno, o diácono Festo e o leitor Desidério. Os relatos mais antigos são breves; as narrativas posteriores acrescentaram episódios lendários, como o de ter saído ileso de uma fornalha e de as feras do anfiteatro não o terem tocado.
No século V, o seu corpo foi levado para as catacumbas de Nápoles, que hoje levam o seu nome. Depois de passar por Benevento e pelo santuário de Montevergine, as relíquias voltaram a Nápoles em 1497. Ali, na Capela do Tesouro da Catedral, conservam-se duas pequenas ampolas com o que se venera como o seu sangue.
Fontes: Martirológio Jeronimiano (século V); afrescos das Catacumbas de São Januário em Nápoles (século V); Atas Bolonhesas (séculos VI-VII) e Atas Vaticanas (posteriores, mais lendárias); Martirológio Romano; crônica napolitana de 1389, primeiro registro da liquefação.
O que nos ensina
Januário ensina a coragem de quem visita o irmão que sofre, mesmo quando isso custa caro. Seu martírio lembra que o sangue dos mártires é testemunho de que Cristo vale mais que a própria vida. E a devoção a ele, tão forte em Nápoles, ensina também maturidade na fé: a Igreja acolhe com respeito os sinais da piedade popular, mas não faz deles o centro. O centro é Cristo, e o que o mártir nos pede é fidelidade, não espetáculo.
Milagres
- Tradição
A liquefação do sangue
Desde pelo menos 1389, em Nápoles, uma substância escura e sólida guardada numa ampola, venerada como o sangue de Januário, torna-se líquida em datas certas: no sábado antes do primeiro domingo de maio, em 19 de setembro e em 16 de dezembro. Às vezes não acontece, e às vezes demora. A Igreja nunca fez um pronunciamento oficial sobre o fenômeno: não o declarou milagre nem o negou. Permite a veneração e a oração, e a ciência ainda não chegou a uma explicação aceita por todos. Por isso o portal o apresenta como tradição e fenômeno sem pronunciamento oficial, e não como milagre reconhecido.
- Tradição
A proteção contra o Vesúvio
Os napolitanos atribuem à intercessão de Januário o fim da violenta erupção do Vesúvio de dezembro de 1631, quando o busto e as relíquias foram levados em procissão. Daí nasceu a celebração de 16 de dezembro. É uma devoção popular, sem exame oficial.
- Tradição
A fornalha e as feras
As narrativas tardias do martírio contam que ele saiu ileso de uma fornalha e que os animais do anfiteatro se deitaram a seus pés. São episódios lendários, comuns nas paixões de mártires daquela época.
“Reconhecido” = examinado nos processos de beatificação e canonização ou narrado nas fontes oficiais. “Tradição” = relato devoto, sem exame formal.
Curiosidades
- Em italiano ele é San Gennaro, e a festa é celebrada também por comunidades italianas no mundo todo, como no bairro de Little Italy, em Nova York, e no bairro da Mooca, em São Paulo.
- Quem administra a Capela do Tesouro é uma instituição leiga antiga, a Deputação de São Januário, e não só o clero.
- Há um costume popular de achar que, quando o sangue não se liquefaz, vem desgraça para a cidade. A Igreja não ensina isso.
- Em 2015, na visita do papa Francisco à catedral de Nápoles, o sangue liquefez-se parcialmente; o arcebispo disse que era sinal de que o santo amava o papa, e Francisco respondeu brincando que o santo "nos ama pela metade".
- O Tesouro de São Januário, com joias doadas por reis e pelo povo durante séculos, é considerado um dos acervos mais valiosos da Itália.
- As Catacumbas de São Januário, em Nápoles, guardam afrescos dos primeiros séculos, entre eles uma das mais antigas imagens do santo.
Oração
São Januário, pastor e mártir, que deste a vida por Cristo e pelos irmãos presos por causa da fé, ensina-nos a coragem de visitar quem sofre. Protege o povo de Nápoles e todos os que vivem sob ameaça de desastres. Ajuda-nos a ter uma fé madura, que honra os sinais de Deus sem buscar espetáculo, e que se alegra em dar testemunho com a própria vida. Amém.
Oração redigida pelo portal Músico Católico.
Para retiro, encontro ou evento
- Tema
- Fé madura: sinais, devoção e testemunho
- Lema
- "Venceram pelo sangue do Cordeiro"
- Leitura
- Ap 7,9-17 (sugerida)
- Público
- Jovens, crisma, grupos de oração, ministérios de música, catequese de adultos
- 1Visitar: Januário foi preso porque visitava os presos: quem precisa de uma visita minha nesta semana?
- 2Discernir: conversar sobre sinais e devoções: o que nos aproxima de Cristo e o que vira só curiosidade?
- 3Testemunhar: cada um escreve um gesto concreto de fidelidade que vai assumir, mesmo que custe.
Dinâmica: "O sangue que fala", 40 min · uma vela vermelha acesa, papel, canetas, música ambiente. Ler Ap 12,11, partilhar em grupos o que é dar testemunho hoje e encerrar com um canto aos mártires.
Quando celebrar
19 de setembro · Memória facultativa · Vermelho
Em Nápoles, como padroeiro, é solenidade, com a exposição das ampolas na catedral. Também lá se celebram as datas de maio (traslado das relíquias) e de 16 de dezembro (erupção de 1631).
Santuários e devoção
- Relíquias: Capela do Tesouro de São Januário e cripta, Catedral de Nápoles (Itália)
- Martírio: Santuário de São Januário na Solfatara, Pozzuoli (Itália)
- Primeiro túmulo: Catacumbas de São Januário, Nápoles (Itália)