Santo
São Gregório Taumaturgo

Neocesareia, no Ponto (atual Niksar, Turquia), c. 213 · Neocesareia, c. 270
- Invocado contra enchentes e terremotos (devoção popular)
- Situações desesperadas (devoção popular, sobretudo na Itália)
- Neocesareia (atual Niksar, Turquia)
“Há uma Trindade perfeita, em glória, eternidade e soberania, que não se divide nem se separa.”
Página em conferência. O texto foi redigido pelo portal a partir das fontes indicadas e ainda está sendo revisado; datas e detalhes podem ser ajustados.
Vida
Gregório nasceu numa família pagã e rica de Neocesareia, no Ponto, região ao norte da atual Turquia, e recebeu o nome de Teodoro. Perdeu o pai cedo. Com o irmão Atenodoro, saiu de casa para estudar direito, mas, a caminho de Berito (atual Beirute), parou em Cesareia da Palestina e conheceu o grande mestre cristão Orígenes. Ficou cerca de cinco anos com ele, estudando filosofia e Escritura, e pediu o batismo.
Ao se despedir do mestre, por volta de 238, escreveu um discurso de agradecimento que se conservou e é um dos testemunhos mais bonitos sobre a amizade entre professor e aluno na Igreja antiga. De volta a Neocesareia, queria viver retirado, mas foi ordenado bispo da cidade, ainda jovem, por Fédimo, bispo de Amaseia. Segundo a tradição, havia apenas dezessete cristãos quando ele assumiu e restavam apenas dezessete pagãos quando morreu.
Durante a perseguição de Décio, em 250, aconselhou os fiéis a fugir e escondeu-se nas montanhas com parte do seu povo, para voltar depois e reorganizar a comunidade. Enfrentou também as invasões de godos e boranos e escreveu uma carta canônica com orientações para os cristãos que tinham sofrido ou colaborado com os saqueadores. Participou do sínodo de Antioquia contra Paulo de Samósata (c. 264) e morreu por volta de 270. Foi mestre na fé de Macrina, a Velha, avó de São Basílio e de São Gregório de Nissa.
Fontes: Discurso de agradecimento a Orígenes (c. 238); Carta canônica; São Gregório de Nissa, Vida de Gregório Taumaturgo (c. 380); Eusébio de Cesareia, História Eclesiástica, livros VI e VII; São Basílio, Sobre o Espírito Santo, 29.
O que nos ensina
Gregório ensina a gratidão a quem nos formou na fé: seu discurso a Orígenes mostra que um bom mestre é presente de Deus. Ensina também o zelo de pastor, que vai ao encontro de um povo inteiro e adapta a linguagem sem perder a verdade, e a prudência de proteger o rebanho na perseguição. Para quem serve na liturgia, lembra que a fé na Trindade não é teoria: é o centro da oração da Igreja, que cantamos no Glória e no Credo.
Milagres
- Tradição
O nome de "Taumaturgo"
Taumaturgo quer dizer "fazedor de maravilhas". Já no século IV, São Basílio e São Gregório de Nissa falam dos muitos sinais que o povo do Ponto atribuía a ele. A fama é antiga e bem atestada, mas os relatos chegaram por tradição oral, mais de cem anos depois.
- Tradição
O cajado que conteve o rio
Gregório de Nissa conta que o rio Lico inundava as terras de Neocesareia e que o bispo fincou o seu cajado na margem, rezando. O cajado teria criado raízes e virado árvore, e as águas nunca mais passaram daquele ponto. Daí a devoção que o invoca contra enchentes. É relato devoto, sem comprovação histórica.
- Tradição
O lago que secou
Também na Vida escrita por Gregório de Nissa, dois irmãos disputavam um lago e estavam prestes a se enfrentar. Gregório passou a noite rezando à margem, e de manhã o lago tinha secado, acabando com a briga. É relato da tradição, com claro sentido de reconciliação.
“Reconhecido” = examinado nos processos de beatificação e canonização ou narrado nas fontes oficiais. “Tradição” = relato devoto, sem exame formal.
Curiosidades
- Gregório de Nissa conta que a Exposição da fé lhe foi revelada numa visão em que apareciam a Virgem Maria e São João Evangelista. Muitos estudiosos consideram este o relato escrito mais antigo de uma aparição de Nossa Senhora.
- O discurso de agradecimento a Orígenes é uma das poucas fontes que mostram como era, por dentro, uma escola cristã do século III.
- Por meio da avó Macrina, a Velha, que aprendeu a fé com os seus discípulos, ele é considerado um "avô espiritual" dos Padres Capadócios.
- Seu nome de batismo era Teodoro ("dom de Deus"); Gregório ("vigilante") foi o nome que adotou depois.
- A fuga durante a perseguição de Décio foi criticada por alguns, mas a Igreja antiga a entendeu como prudência de pastor, e não como covardia.
Oração
São Gregório Taumaturgo, pastor zeloso que levaste a fé a um povo inteiro e confessaste com firmeza a Santíssima Trindade, ensina-nos a agradecer a quem nos formou e a servir com coragem e prudência. Intercede por nós nas horas de aflição, nas enchentes da vida e nas situações que parecem sem saída. Que o nosso louvor seja sempre ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Amém.
Oração redigida pelo portal Músico Católico.
Para retiro, encontro ou evento
- Tema
- Gratidão a quem nos levou a Deus
- Lema
- "Dezessete cristãos no começo"
- Leitura
- Fl 1,3-11 (sugerida)
- Público
- Catequistas, ministérios de música, jovens, grupos de oração
- 1Lembrar: quem foi o meu "Orígenes", a pessoa que me apresentou a fé? Momento pessoal de silêncio e gratidão.
- 2Agradecer: escrever uma carta curta de agradecimento a essa pessoa (viva ou já falecida) e rezar por ela.
- 3Semear: como Gregório começou com dezessete fiéis, perguntar: a quem eu posso apresentar Jesus neste mês?
Dinâmica: "A carta ao meu mestre", 40 min · papel de carta, envelopes, canetas, uma vela acesa no centro. Quem quiser lê um trecho da carta; no fim, todos rezam juntos o Glória ao Pai.
Quando celebrar
17 de novembro · Fora do calendário · Branco
Não está no Calendário Romano Geral nem no calendário próprio do Brasil, mas é lembrado em 17 de novembro no Martirológio Romano e nas Igrejas do Oriente.
Santuários e devoção
- Sua cidade: Neocesareia, atual Niksar (Turquia), sede do seu episcopado. Não se conhece túmulo conservado.
- Devoção na Itália: Stalettì (Calábria), onde é venerado como padroeiro
- Onde estudou: Cesareia Marítima (Israel), sítio arqueológico da cidade onde ensinava Orígenes