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Santo

São Fulgêncio de Ruspe

São Fulgêncio de Ruspe
Fulgentius von Ruspe 17Jh · domínio público · origem

Telepte (atual Tunísia), c. 467 · Ruspe (atual Tunísia), 1º de janeiro de 527 ou 533 · santo pela tradição antiga

  • Bourges, na França (onde estão relíquias, segundo a tradição)
  • Teólogos e estudiosos da graça (título popular)
“A caridade é a fonte e a origem de todos os bens, a melhor defesa, o caminho que leva ao Céu.”
Sermão 3, sobre Santo Estêvão, n. 5 e 6, lido na Liturgia das Horas no dia 26 de dezembro. Tradução do portal a partir do latim, de domínio público.

Página em conferência. O texto foi redigido pelo portal a partir das fontes indicadas e ainda está sendo revisado; datas e detalhes podem ser ajustados.

Vida

Fulgêncio nasceu numa família nobre de Cartago que se refugiara em Telepte, na província romana de Bizacena, num norte da África dominado pelos vândalos. O pai morreu cedo e a mãe, Mariana, cuidou para que ele aprendesse grego e latim. Jovem ainda, tornou-se procurador, encarregado de cobrar impostos, mas a leitura de um comentário de Santo Agostinho sobre o Salmo 36 mexeu com ele. Por volta de 487, deixou o cargo e se fez monge.

Pensou em ir viver entre os monges do deserto do Egito, mas o bispo Eulálio de Siracusa o desaconselhou, porque ali havia divisões sobre a fé. Visitou Roma por volta do ano 500 e voltou à África, onde fundou um mosteiro. Por volta de 507 ou 508, foi escolhido bispo da pequena cidade costeira de Ruspe, numa época em que o rei vândalo Trasamundo, ariano, proibia a ordenação de bispos católicos.

Pouco depois foi exilado na Sardenha com dezenas de outros bispos. Em Cagliari, organizou um mosteiro e escreveu muito para defender a fé na Trindade e na graça de Deus. O rei o chamou a Cartago para debater, e Fulgêncio respondeu às perguntas dele por escrito, com respeito e firmeza; acabou exilado de novo. Só voltou em 523, quando o rei Hilderico permitiu o retorno dos bispos. Passou os últimos anos em Ruspe, alternando o governo da diocese com retiros numa ilha próxima, e morreu em 1º de janeiro de 527 ou de 533.

Fontes: Ferrando de Cartago, diácono e discípulo dele, Vida de São Fulgêncio (pouco depois da sua morte); obras do próprio Fulgêncio (Carta a Pedro sobre a fé, Respostas ao rei Trasamundo, sermões e cartas); Martirológio Romano, 1º de janeiro.

O que nos ensina

Fulgêncio mostra que estudo e santidade andam juntos: foi o grande continuador de Santo Agostinho e explicou com clareza que tudo de bom em nós é dom da graça de Deus. Viveu a fé num tempo de perseguição sem perder a mansidão, debatendo com o rei que o exilava sem insultos. E nunca deixou de ser monge: mesmo bispo, vestia-se com simplicidade e buscava o silêncio. Ensina a quem serve a Igreja que a verdade se defende com caridade.

Milagres

  1. Tradição

    Graças junto às relíquias

    A tradição conta que as relíquias de Fulgêncio foram levadas da África para Bourges, na França, por volta do século IX, para protegê-las das invasões, e que ali muitos fiéis recorriam à sua intercessão. Não há milagres examinados num processo formal: ele é santo pela veneração antiga, anterior às canonizações modernas.

“Reconhecido” = examinado nos processos de beatificação e canonização ou narrado nas fontes oficiais. “Tradição” = relato devoto, sem exame formal.

Curiosidades

  • A Carta a Pedro sobre a fé, um resumo da doutrina cristã escrito por ele, circulou durante séculos com o nome de Santo Agostinho.
  • O trecho dele sobre a caridade de Santo Estêvão é lido todos os anos na Liturgia das Horas, no dia seguinte ao Natal.
  • No exílio da Sardenha, os bispos africanos tinham pouco contato com o mundo, e mesmo assim Fulgêncio respondia cartas de cristãos de longe que lhe pediam esclarecimentos de fé.
  • Foi a leitura de um comentário de Agostinho sobre os Salmos que o fez trocar a carreira pública pela vida de monge.
  • Seu discípulo Ferrando, autor da biografia, conta que ele gostava de cantar os salmos e que se emocionava com a liturgia.

Oração

São Fulgêncio de Ruspe, que deixaste a carreira e as honras para servir a Deus no silêncio e no estudo, ensina-nos a buscar a verdade com humildade e a defendê-la com caridade. Fortalece os que sofrem por causa da fé e os que ensinam o Evangelho. Que a nossa música e o nosso serviço brotem do amor, fonte de todos os bens. Amém.

Oração redigida pelo portal Músico Católico.

Para retiro, encontro ou evento

Tema
A caridade, caminho que leva ao Céu
Lema
"A caridade é a fonte de todos os bens"
Leitura
1Cor 13,1-13 (sugerida)
Público
Catequistas, ministérios de música, grupos de estudo, pastorais
  1. 1Converter-se: qual leitura, conversa ou acontecimento já mexeu comigo como o Salmo mexeu com Fulgêncio? Partilha em duplas.
  2. 2Estudar: ler devagar o hino da caridade e sublinhar a frase que mais me questiona.
  3. 3Defender com mansidão: como falo da fé com quem pensa diferente? Escrever uma atitude concreta de respeito para esta semana.

Dinâmica: "A fonte", 40 min · uma jarra de água, copos e papeizinhos. Cada um escreve um gesto de caridade e, ao lê-lo, coloca um pouco de água no copo de outro, lembrando que o amor transborda.

Quando celebrar

1º de janeiro · Fora do calendário · Branco

Ele não está no calendário litúrgico do Brasil. O Martirológio Romano o lembra em 1º de janeiro, dia da solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, que tem precedência. Encontros sobre ele podem ser marcados em outro dia.

Santuários e devoção

  • Relíquias: Bourges (França), para onde a tradição diz que foram levadas no século IX
  • Sede episcopal: Ruínas de Ruspe, perto de Sfax, na costa da Tunísia
  • Exílio: Cagliari, na Sardenha (Itália), onde fundou um mosteiro