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Santo

Santos Primeiros Mártires da Igreja de Roma

Roma, perseguição de Nero, a partir do ano 64 · nomes desconhecidos · venerados como mártires desde a Igreja antiga

  • Os cristãos perseguidos (devoção popular)
  • A Igreja de Roma
  • Os mártires anônimos
“A estes homens de vida santa juntou-se uma grande multidão de eleitos que, sofrendo muitos ultrajes e tormentos, se tornaram entre nós um belíssimo exemplo.”
São Clemente de Roma, Carta aos Coríntios, 6,1 (c. 96), falando dos que morreram em Roma junto com Pedro e Paulo. Tradução do portal, em domínio público.

Página em conferência. O texto foi redigido pelo portal a partir das fontes indicadas e ainda está sendo revisado; datas e detalhes podem ser ajustados.

Vida

Em julho do ano 64, um grande incêndio destruiu boa parte de Roma durante vários dias. Corria entre o povo o boato de que o próprio imperador Nero teria mandado pôr fogo na cidade. Para afastar a suspeita, ele acusou os cristãos, um grupo ainda pequeno, visto com desconfiança por não adorar os deuses de Roma.

Começou então a primeira grande perseguição contra a Igreja na capital do Império. O historiador romano Tácito, que não era cristão, conta que "uma grande multidão" foi presa e morta com suplícios cruéis, alguns nos jardins do imperador, no monte Vaticano. Eram homens e mulheres, muitos deles escravos, artesãos e gente simples. Não sabemos os seus nomes.

A tradição situa nesse mesmo período o martírio de São Pedro, crucificado no Vaticano, e de São Paulo, decapitado na estrada de Óstia. Por isso, quando a reforma do calendário de 1969 criou esta memória, colocou-a em 30 de junho, logo depois da solenidade de Pedro e Paulo: os primeiros mártires de Roma são os companheiros anônimos dos dois apóstolos, as "primícias" que a Igreja de Roma ofereceu a Deus.

Fontes: Tácito, Anais, livro XV, 44 (c. 116); Suetônio, Vida de Nero, 16; São Clemente de Roma, Carta aos Coríntios, 5-6 (c. 96); Martirológio Romano, 30 de junho; Calendário Romano Geral (1969).

O que nos ensina

Estes mártires ensinam que a santidade não precisa de fama: a Igreja venera uma multidão de pessoas de quem não sabe nem o nome, mas cuja fidelidade Deus conhece um por um. Lembram também que a fé de Roma nasceu do testemunho de gente simples, que preferiu perder a vida a negar Jesus. Hoje, quando há cristãos perseguidos em vários países, esta memória pede oração e solidariedade com eles, e coragem para viver a fé sem medo no dia a dia.

Milagres

  1. Reconhecido

    Um martírio atestado por historiadores não cristãos

    A perseguição de Nero não é só tradição da Igreja: Tácito e Suetônio, autores romanos pagãos, registram que os cristãos foram acusados e punidos naquele tempo. É um dos fatos mais bem documentados da Igreja do século I. Não se trata de milagre, mas de testemunho histórico do martírio.

  2. Tradição

    "O sangue dos mártires é semente de cristãos"

    Tertuliano, por volta do ano 197, escreveu que quanto mais os cristãos eram perseguidos, mais se multiplicavam. A Igreja de Roma, que parecia destruída em 64, cresceu e se tornou centro da comunhão católica. A tradição lê nisso a força da graça que age pelos mártires.

“Reconhecido” = examinado nos processos de beatificação e canonização ou narrado nas fontes oficiais. “Tradição” = relato devoto, sem exame formal.

Curiosidades

  • O obelisco egípcio que hoje está no centro da Praça de São Pedro ficava, no tempo de Nero, no circo construído no Vaticano, perto do lugar onde muitos desses mártires morreram.
  • A memória é recente: foi criada em 1969, na reforma do calendário depois do Concílio Vaticano II.
  • Tácito, mesmo desprezando os cristãos, observou que a crueldade de Nero acabou despertando pena entre o povo romano.
  • Esta é uma das poucas celebrações do calendário dedicadas a santos totalmente anônimos, ao lado dos Santos Inocentes.
  • A tradição liga a crucificação de São Pedro ao mesmo período e ao mesmo lugar, o monte Vaticano, onde hoje está a basílica que guarda o seu túmulo.

Oração

Senhor Deus, que fizeste a Igreja de Roma florescer com o sangue de tantos mártires cujos nomes só tu conheces, dá-nos a mesma coragem para testemunhar a fé. Fortalece os cristãos perseguidos no mundo inteiro e ensina-nos a servir sem buscar reconhecimento. Que a nossa vida e a nossa música anunciem, com simplicidade, que Jesus é o Senhor. Amém.

Oração redigida pelo portal Músico Católico.

Para retiro, encontro ou evento

Tema
Santos sem nome: a fé que ninguém aplaude
Lema
"Uma grande multidão de eleitos"
Leitura
Ap 7,9-14 (sugerida)
Público
Jovens, crisma, ministérios de música, grupos de oração
  1. 1Anônimos: quem me transmitiu a fé sem que ninguém soubesse? Lembrar em silêncio nomes de pessoas simples que me levaram a Deus.
  2. 2Fidelidade: em que situações do meu dia tenho vergonha ou medo de mostrar que sou cristão? O que me dá coragem?
  3. 3Comunhão: rezar juntos pelos cristãos perseguidos hoje, lembrando países onde a fé ainda custa caro.

Dinâmica: "A multidão de eleitos", 30 min · papéis, canetas, um painel. Cada pessoa escreve o nome de alguém que foi testemunha de fé na sua vida e cola no painel; ao final, todos cantam um canto de louvor diante dos nomes.

Quando celebrar

30 de junho · Memória facultativa · Vermelho

Fica no dia seguinte à solenidade de São Pedro e São Paulo, de propósito, para unir os mártires anônimos aos dois apóstolos.

Santuários e devoção

  • Lugar do martírio: Área do antigo circo de Nero, no Vaticano, hoje ocupada em parte pela Basílica de São Pedro
  • Obelisco: Obelisco da Praça de São Pedro, que estava no circo do Vaticano no século I
  • Memória dos mártires: Catacumbas de Roma, como as de São Calisto e São Sebastião, que guardam a memória dos primeiros cristãos