Santo
Santos Mártires de Cunhaú e Uruaçu

Rio Grande do Norte, 16 de julho e 3 de outubro de 1645 · beatificados em 2000 · canonizados em 2017
- Rio Grande do Norte
- Arquidiocese de Natal
- Famílias que sofrem pela fé
“Louvado seja o Santíssimo Sacramento.”
Página em conferência. O texto foi redigido pelo portal a partir das fontes indicadas e ainda está sendo revisado; datas e detalhes podem ser ajustados.
Vida
No século XVII, o Nordeste do Brasil foi palco de uma guerra entre Portugal e a Companhia das Índias Ocidentais, empresa holandesa que ocupou boa parte da região entre 1630 e 1654. O conflito misturava comércio do açúcar, disputa de território e religião: os holandeses eram calvinistas, e os colonos luso-brasileiros, católicos. Houve violência dos dois lados, e os povos indígenas foram arrastados para a guerra como aliados de um ou de outro.
Em 16 de julho de 1645, um domingo, os fiéis do engenho Cunhaú, hoje Canguaretama, estavam reunidos na capela de Nossa Senhora das Candeias para a missa do padre André de Soveral. Soldados a serviço dos holandeses e indígenas aliados, comandados por Jacob Rabbi, fecharam as portas e mataram o padre e cerca de setenta pessoas. Em 3 de outubro do mesmo ano, em Uruaçu, hoje São Gonçalo do Amarante, outro grupo de católicos, com o padre Ambrósio Francisco Ferro, foi morto depois de recusar abandonar a fé. Entre eles estava o leigo Mateus Moreira, que morreu louvando a Eucaristia.
São João Paulo II beatificou em 5 de março de 2000 o padre André de Soveral, o padre Ambrósio Francisco Ferro e 28 companheiros cujos nomes se conhecem, entre eles homens, mulheres, crianças e famílias inteiras. O papa Francisco os canonizou em 15 de outubro de 2017. São os primeiros mártires do Brasil reconhecidos como santos.
Fontes: Frei Manuel Calado, O Valeroso Lucideno (1648); Diogo Lopes de Santiago, História da Guerra de Pernambuco (século XVII); Positio da causa de beatificação (Arquidiocese de Natal); homilias de João Paulo II (2000) e de Francisco (2017).
O que nos ensina
Os mártires de Cunhaú e Uruaçu ensinam que a fé é vivida em comunidade: morreram juntos, na missa e em família, gente simples do campo ao lado de seus padres. Mostram o lugar central da Eucaristia na vida do povo. Lembrados hoje, também ensinam a recusar a violência em nome de Deus: a memória deles não é de rancor contra ninguém, e católicos e cristãos reformados vivem hoje o diálogo e a convivência fraterna.
Milagres
- Reconhecido
O milagre da canonização
Para a canonização, a Congregação para as Causas dos Santos reconheceu em 2017 uma cura atribuída à intercessão dos mártires. Como mártires, a beatificação de 2000 dispensou milagre.
- Tradição
O coração de Mateus Moreira
As crônicas contam que arrancaram o coração de Mateus Moreira pelas costas e que ele ainda louvava o Santíssimo Sacramento. O martírio é histórico; os detalhes vêm das narrativas da época, escritas em tempo de guerra.
“Reconhecido” = examinado nos processos de beatificação e canonização ou narrado nas fontes oficiais. “Tradição” = relato devoto, sem exame formal.
Curiosidades
- Dos cerca de 150 mortos nos dois massacres, só 30 tinham nome e circunstâncias documentados o bastante para a causa: são eles os canonizados.
- O dia 3 de outubro é feriado estadual no Rio Grande do Norte em memória dos mártires.
- Na canonização de 2017, foram proclamados santos junto com os três meninos mártires de Tlaxcala, no México, e outros beatos.
- Jacob Rabbi, que comandou o ataque em Cunhaú, era alemão a serviço da companhia holandesa; o massacre foi lembrado com horror até por cronistas holandeses.
- A capela de Cunhaú, reconstruída, continua de pé no local do engenho e recebe romarias.
Oração
Santos mártires de Cunhaú e Uruaçu, que permanecestes fiéis a Cristo até o fim, reunidos em torno do altar, intercedei pelas nossas famílias e comunidades. Dai-nos amor à Eucaristia, coragem na fé e um coração que não guarda ódio. Ajudai-nos a construir a paz entre os cristãos e entre todos os povos. Que o nosso canto louve sempre o Santíssimo Sacramento. Amém.
Oração redigida pelo portal Músico Católico.
Para retiro, encontro ou evento
- Tema
- Uma comunidade que se reúne em torno do altar
- Lema
- "Louvado seja o Santíssimo Sacramento"
- Leitura
- Ap 7,9-17 (sugerida)
- Público
- Comunidades, famílias, ministérios de música e de liturgia, pastoral da Eucaristia
- 1Recordar: contar a história dos mártires e perguntar: o que a missa de domingo significa para mim e para minha família?
- 2Adorar: tempo de adoração ao Santíssimo, em silêncio, entregando a própria comunidade.
- 3Reconciliar: escrever o nome de alguém com quem preciso fazer as pazes e rezar por essa pessoa.
Dinâmica: "Os nomes da nossa comunidade", 40 min · cartões, canetas, uma vela. Cada um escreve o nome de alguém que lhe passou a fé; os cartões são colocados aos pés do altar com um canto eucarístico.
Quando celebrar
3 de outubro · Memória · Vermelho
Celebração própria do Brasil. Na Arquidiocese de Natal e no Rio Grande do Norte tem grau maior. Confirmar o grau no Diretório da Liturgia da CNBB do ano.
Santuários e devoção
- Uruaçu: Santuário e Monumento dos Mártires, em São Gonçalo do Amarante (RN)
- Cunhaú: Capela de Nossa Senhora das Candeias, no antigo engenho Cunhaú, em Canguaretama (RN)
- Relíquias: Catedral Metropolitana de Natal (RN)