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Santo

Santo Máximo, o Confessor

Provavelmente Constantinopla, c. 580 · exílio em Lázica (atual Geórgia), 13 de agosto de 662

  • Teólogos (devoção)
  • Perseguidos por causa da fé (devoção)
“A caridade é a boa disposição da alma pela qual ela nada prefere ao conhecimento de Deus.”
Capítulos sobre a Caridade, primeira centúria, n. 1 (c. 626). Tradução do portal a partir do grego, de domínio público.

Página em conferência. O texto foi redigido pelo portal a partir das fontes indicadas e ainda está sendo revisado; datas e detalhes podem ser ajustados.

Vida

Segundo a Vida grega, Máximo nasceu numa família nobre de Constantinopla, recebeu ótima educação e chegou a ser secretário do imperador Heráclio. Uma Vida siríaca, escrita por adversários, dá outra origem, na Palestina; os estudiosos ainda discutem. Por volta de 614, deixou a corte e se tornou monge em Crisópolis, do outro lado do Bósforo.

Com a invasão persa, os monges tiveram de fugir, e Máximo foi parar no norte da África, perto de Cartago, onde conheceu São Sofrônio, futuro patriarca de Jerusalém. Ali escreveu muitas de suas obras. Nesse tempo, para agradar a todos os grupos do Império, a corte defendia que em Cristo havia uma só vontade (monotelismo). Máximo explicou com clareza que, sendo verdadeiro Deus e verdadeiro homem, Cristo tem também uma vontade humana verdadeira, que se entrega livremente ao Pai, como no Getsêmani: "não a minha vontade, mas a tua". Em 645 debateu publicamente com o ex-patriarca Pirro e, em 649, apoiou o Concílio de Latrão convocado pelo papa São Martinho I.

Preso em Roma por volta de 653 ou 655, foi levado a Constantinopla, julgado e exilado várias vezes. Já idoso, recusou-se a assinar uma fórmula que negava a vontade humana de Cristo. Num último julgamento, em 662, foi mutilado para que não pudesse mais falar nem escrever, e enviado para Lázica, na costa do Mar Negro, onde morreu pouco depois. Não morreu executado, por isso é chamado "Confessor": alguém que sofreu pela fé. O Terceiro Concílio de Constantinopla (680-681) confirmou a doutrina pela qual ele deu a vida.

Fontes: Os próprios escritos (Ambigua, Capítulos sobre a Caridade, Mistagogia, Disputa com Pirro); Atas do julgamento (Relatio Motionis); Vida grega (século X) e Vida siríaca (século VII); papa Bento XVI, catequese sobre São Máximo, o Confessor (25 de junho de 2008).

O que nos ensina

Máximo ensina que a nossa liberdade não é rival de Deus. Em Jesus, a vontade humana diz "sim" ao Pai e, por isso, fica plenamente livre. Quando dizemos "seja feita a vossa vontade", não perdemos nada: encontramos o que somos. Ensina também que o amor a Deus e o amor ao próximo caminham juntos, e que a verdade sobre Cristo vale mais do que a própria segurança. Foi um homem de estudo que, na hora da prova, soube ficar firme sozinho.

Milagres

  1. Tradição

    As luzes sobre o túmulo

    Uma tradição antiga conta que, depois de sua morte, três luzes eram vistas brilhar todas as noites sobre o túmulo dele, no exílio. É relato devoto, sem confirmação histórica.

“Reconhecido” = examinado nos processos de beatificação e canonização ou narrado nas fontes oficiais. “Tradição” = relato devoto, sem exame formal.

Curiosidades

  • Não era bispo nem padre: até onde se sabe, foi sempre um simples monge, e mesmo assim enfrentou imperadores e patriarcas.
  • Seu discípulo Anastácio e o legado romano Anastácio Apocrisiário partilharam com ele o exílio e o sofrimento.
  • É um dos poucos autores que unem Oriente e Ocidente: os ortodoxos o consideram um de seus maiores teólogos, e o Catecismo da Igreja Católica o cita ao falar da vontade humana de Cristo (CIC §475).
  • As Igrejas orientais o celebram em 21 de janeiro; o Martirológio Romano, em 13 de agosto, dia da sua morte.
  • Seus Capítulos sobre a Caridade estão na Filocalia, a grande coleção de textos espirituais do Oriente cristão.

Oração

Santo Máximo, o Confessor, que defendeste com coragem a verdade sobre Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, ensina-nos a unir a nossa vontade à vontade do Pai, como Cristo no Getsêmani. Dá-nos firmeza na fé quando ela custa caro e um amor que nada prefere a Deus. Intercede pelos que sofrem por serem fiéis à verdade. Amém.

Oração redigida pelo portal Músico Católico.

Para retiro, encontro ou evento

Tema
Seja feita a vossa vontade: a liberdade que diz sim
Lema
"Não a minha vontade, mas a tua"
Leitura
Lc 22,39-46 (sugerida)
Público
Jovens, crisma, ministérios, catequistas
  1. 1Minha vontade: em silêncio, escrever uma decisão em que hoje eu luto contra a vontade de Deus.
  2. 2Getsêmani: ler devagar a oração de Jesus no horto e perceber que Ele sentiu medo de verdade e mesmo assim disse sim.
  3. 3Firmeza: conversar em grupo: onde, na escola, no trabalho ou na internet, ser fiel a Cristo me custa algo?

Dinâmica: "Duas vontades, um sim", 35 min · papéis de duas cores, canetas, uma vela acesa. Numa cor, cada um escreve o que quer; na outra, o que imagina que Deus pede. Depois, junta os dois papéis diante da vela e reza o Pai-Nosso devagar.

Quando celebrar

13 de agosto · Fora do calendário · Branco

Não está no calendário litúrgico do Brasil; o Martirológio Romano o lembra em 13 de agosto. Nas Igrejas bizantinas, a festa principal é em 21 de janeiro.

Santuários e devoção

  • Lugar da morte: Região de Tsageri, na antiga Lázica (Geórgia), onde a tradição local mostra o seu túmulo e um mosteiro dedicado a ele
  • Onde ensinou: Cartago (atual Tunísia), onde viveu e escreveu boa parte das obras