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Santo

Santo Estêvão Harding

Santo Estêvão Harding
Sv. Stevan Harding, Stevanovska cirkev · Doncsecz · CC BY-SA 3.0 · origem

Sherborne (Inglaterra), c. 1060 · Cister (França), 28 de março de 1134 · culto aprovado em 1623

  • Ordem de Cister (cistercienses e trapistas)
  • Copadroeiro da Ordem com São Roberto e Santo Alberico
“Que vivamos com uma só caridade, uma só regra e costumes semelhantes.”
Carta de Caridade (Carta Caritatis), documento de organização da Ordem de Cister redigido sob sua direção, c. 1114-1119. Tradução do portal a partir do latim, de domínio público.

Página em conferência. O texto foi redigido pelo portal a partir das fontes indicadas e ainda está sendo revisado; datas e detalhes podem ser ajustados.

Vida

Estêvão nasceu na Inglaterra, por volta de 1060, e foi educado no mosteiro de Sherborne. Jovem, deixou a ilha, estudou na Escócia e em Paris, e fez uma peregrinação a Roma. Na volta, passou pelo mosteiro de Molesme, na Borgonha, dirigido por São Roberto, e ficou: queria viver a Regra de São Bento com toda a simplicidade.

Em 1098, com Roberto, Alberico e outros monges, deixou Molesme para fundar o "Novo Mosteiro" num lugar pantanoso e isolado chamado Cister (Cîteaux). Quando Roberto foi chamado de volta a Molesme, Alberico assumiu como abade; com a morte dele, em 1108 ou 1109, Estêvão foi eleito. Os primeiros anos foram de pobreza extrema, com poucos monges e muitas doenças, e chegou-se a temer que a comunidade acabasse.

Em 1112 ou 1113, chegou a Cister o jovem Bernardo, com cerca de trinta parentes e amigos. A partir daí, o mosteiro floresceu e fundou outros: La Ferté, Pontigny, Claraval e Morimond. Para manter a unidade entre eles, Estêvão redigiu a Carta de Caridade, que organizou os mosteiros como uma família, com visitas e um capítulo geral anual. Já velho e quase cego, renunciou em 1133 e morreu em 28 de março de 1134. Seu culto foi aprovado para a Ordem em 1623.

Fontes: Exórdio Parvo e Carta de Caridade (documentos primitivos de Cister, século XII); Guilherme de Malmesbury, Gesta regum Anglorum (c. 1125); a Bíblia de Estêvão Harding, com sua nota de próprio punho (1109, Dijon); estudos de Chrysogonus Waddell sobre os textos primitivos cistercienses.

O que nos ensina

Estêvão ensina a perseverar quando tudo parece dar errado: segurou um mosteiro pobre e quase vazio até que Deus mandasse os frutos. Ensina também que a unidade nasce da caridade, e não do controle, e que é preciso cuidar das estruturas para que o carisma não se perca. Para quem trabalha com música e liturgia, ele é modelo de zelo: queria que o canto e os textos sagrados fossem os mais fiéis possíveis.

Milagres

  1. Tradição

    A chegada de Bernardo

    A tradição cisterciense lê como resposta à oração de Estêvão a chegada de Bernardo e seus companheiros, justamente quando Cister parecia condenado a desaparecer. Não é um milagre no sentido estrito, mas foi recebido como sinal de Deus.

  2. Tradição

    O monge que voltou para avisar

    Relatos antigos da Ordem contam que um monge moribundo prometeu a Estêvão voltar para dizer se a vida pobre de Cister agradava a Deus, e apareceu depois da morte para confirmar e anunciar que muitos viriam. É relato devoto, sem comprovação.

“Reconhecido” = examinado nos processos de beatificação e canonização ou narrado nas fontes oficiais. “Tradição” = relato devoto, sem exame formal.

Curiosidades

  • Fez uma revisão cuidadosa do texto da Bíblia latina e, para entender passagens do Antigo Testamento, consultou estudiosos judeus sobre o texto hebraico, algo raro e respeitoso para a época. A Bíblia que ele mandou copiar está hoje em Dijon.
  • Também mandou buscar em Milão e em Metz os hinos e o canto que considerava mais autênticos, para que a liturgia de Cister fosse fiel às origens.
  • Os monges brancos de Cister, que usam hábito de lã crua, sem tingir, e a Ordem trapista, nascida de uma reforma posterior, têm nele um dos pais.
  • A Carta de Caridade é considerada um dos primeiros documentos de organização de uma rede de casas religiosas, e influenciou outras ordens.
  • Era o único inglês entre os três fundadores de Cister; os outros dois eram franceses.

Oração

Santo Estêvão Harding, que perseveraste na pobreza de Cister quando tudo parecia perdido, ensina-nos a confiar em Deus nas horas de crise. Dá-nos amor pela Palavra e pela liturgia bem celebrada, e ajuda as nossas comunidades a viverem unidas por uma só caridade. Que o nosso canto seja simples, fiel e cheio de louvor. Amém.

Oração redigida pelo portal Músico Católico.

Para retiro, encontro ou evento

Tema
Perseverar no pouco até o tempo da colheita
Lema
"Uma só caridade"
Leitura
Jo 15,1-12 (sugerida)
Público
Ministérios de música e liturgia, coordenações de pastoral, grupos que passam por crise
  1. 1Crise: qual parte do meu grupo ou ministério parece estar "morrendo"? Nomear sem culpar ninguém.
  2. 2Fidelidade: o que precisamos manter, mesmo com poucas pessoas, para não perder o essencial?
  3. 3Unidade: escrever juntos uma pequena "carta de caridade" do grupo: três combinados para viver unidos.

Dinâmica: "Nossa carta de caridade", 40 min · cartolina, canetas, a Bíblia aberta no centro. O grupo redige e assina três compromissos de convivência, lidos na oração final.

Quando celebrar

28 de março · Fora do calendário · Branco

Está no Martirológio Romano em 28 de março, dia da sua morte. Na Ordem de Cister e entre os trapistas, é celebrado em 26 de janeiro, na solenidade dos santos fundadores Roberto, Alberico e Estêvão. Confirmar no calendário da diocese.

Santuários e devoção

  • Onde viveu e morreu: Abadia de Cîteaux (Cister), em Saint-Nicolas-lès-Cîteaux, Borgonha (França), hoje trapista
  • Manuscritos: Biblioteca Municipal de Dijon (França), com a Bíblia de Estêvão Harding
  • Origem: Abadia de Sherborne, Dorset (Inglaterra), onde foi educado