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Santo

Santo Elesbão

Reino de Axum (atual Etiópia e Eritreia), início do século VI · morreu como monge, em data incerta, depois de c. 525

  • Etiópia (na devoção popular)
  • Irmandades dos homens pretos
  • Cristãos perseguidos
“A Etiópia estende as mãos para Deus.”
Sl 67(68),32, versículo que a tradição aplica à conversão da Etiópia e que acompanha a devoção a Santo Elesbão e Santa Ifigênia. Não há palavras dele registradas. Tradução do portal.

Página em conferência. O texto foi redigido pelo portal a partir das fontes indicadas e ainda está sendo revisado; datas e detalhes podem ser ajustados.

Vida

Elesbão é o nome em português de Kaleb, rei de Axum, o grande reino cristão do nordeste da África, onde hoje ficam a Etiópia e a Eritreia. Em grego, as fontes o chamam de Elesbaas, de onde veio o nome usado na Igreja latina. Ele reinou no início do século VI, num reino que era cristão havia cerca de duzentos anos.

Por volta de 523, do outro lado do mar Vermelho, no reino de Himiar (no atual Iêmen), o rei Dhu Nuwas perseguiu os cristãos e mandou matar muitos deles na cidade de Najran, entre eles o chefe Aretas (Harith) e seus companheiros, venerados como mártires. Kaleb atravessou o mar com seu exército, venceu Dhu Nuwas e restabeleceu a liberdade dos cristãos na região. O episódio é conhecido por fontes do século VI, como cartas e crônicas siríacas e gregas.

Segundo a tradição, depois da vitória Kaleb deixou o trono, mandou a coroa a Jerusalém para ser pendurada diante do túmulo de Cristo e terminou a vida como monge, em oração e penitência. É venerado como santo pelas Igrejas etíope e eritreia e foi inscrito no Martirológio Romano. Os carmelitas o apresentaram, sem base histórica, como monge da ordem, e foi com eles que a devoção chegou ao Brasil, onde irmandades negras o escolheram como padroeiro, ao lado de Santa Ifigênia.

Fontes: Fontes do século VI sobre a guerra de Himiar e os mártires de Najran (Martírio de Aretas, carta de Simeão de Bet Arsham, Procópio de Cesareia, Guerras I,20); Martirológio Romano, 27 de outubro; estudos sobre as irmandades negras no Brasil colonial.

O que nos ensina

Elesbão ensina que o poder é para servir e proteger os fracos, e que a grandeza pode ser deixada de lado. Um rei que vence a guerra e entrega a coroa a Cristo diz, com um gesto, quem é o verdadeiro rei. Para as irmandades negras do Brasil, um rei africano santo era sinal de que a dignidade do povo vinha de Deus, não de quem o escravizava.

Milagres

  1. Reconhecido

    A defesa dos cristãos de Najran

    A campanha de Kaleb contra o rei que perseguia os cristãos de Himiar é um fato histórico do século VI, registrado em fontes da época. Não é um milagre em sentido estrito; o selo indica a base documental sólida do episódio.

  2. Tradição

    A coroa enviada a Jerusalém

    A tradição conta que, ao deixar o trono, ele mandou a coroa ao Santo Sepulcro e se fez monge. O gesto é narrado em fontes posteriores e não pode ser confirmado.

“Reconhecido” = examinado nos processos de beatificação e canonização ou narrado nas fontes oficiais. “Tradição” = relato devoto, sem exame formal.

Curiosidades

  • Na Etiópia, Kaleb é personagem do Kebra Nagast, o grande livro de tradições do país, e aparece como rei piedoso.
  • As imagens brasileiras costumam mostrá-lo com coroa, lança e um rei vencido aos pés: é Dhu Nuwas, o perseguidor dos cristãos.
  • No Rio de Janeiro, a igreja de Santo Elesbão e Santa Efigênia foi construída no século XVIII por uma irmandade de negros vindos da costa da Mina.
  • O reino de Axum foi um dos primeiros Estados cristãos do mundo: o rei Ezana se converteu no século IV.
  • O nome também aparece como Elesbaão ou Elesbã em documentos antigos.

Oração

Santo Elesbão, rei que usaste o poder para defender os perseguidos e depois entregaste a coroa a Cristo, ensina-nos a servir e não a dominar. Intercede pelos cristãos que hoje sofrem por causa da fé, e pelos povos da África. Dá-nos um coração humilde, que saiba deixar de lado o que nos prende. Que a nossa música anuncie que só Cristo é Rei. Amém.

Oração redigida pelo portal Músico Católico.

Para retiro, encontro ou evento

Tema
A coroa aos pés de Cristo
Lema
"Quem quiser ser o primeiro seja o servo de todos" (Mc 10,44)
Leitura
Mc 10,35-45 (sugerida)
Público
Coordenadores de pastoral, ministérios de música, pastoral afro, crisma
  1. 1Olhar: perguntar onde, no grupo ou no ministério, eu exerço algum poder (escolher cantos, falar, decidir).
  2. 2Entregar: escrever num papel uma "coroa" que preciso deixar aos pés de Cristo (vaidade, controle, querer aparecer).
  3. 3Servir: combinar um serviço escondido para o próximo encontro, sem que ninguém saiba quem fez.

Dinâmica: "Coroas aos pés da cruz", 30 min · coroas de papel, canetas, uma cruz. Cada um escreve na coroa o que quer entregar e a deposita aos pés da cruz enquanto o grupo canta um canto a Cristo Rei.

Quando celebrar

27 de outubro · Fora do calendário · Branco

Consta no Martirológio Romano em 27 de outubro, mas não está no Calendário Romano Geral nem no próprio do Brasil. As igrejas e irmandades dedicadas a ele fazem festa local.

Santuários e devoção

  • Rio de Janeiro: Igreja de Santo Elesbão e Santa Efigênia, centro do Rio de Janeiro (RJ)
  • Etiópia: Tradição do túmulo e do mosteiro em Axum (Etiópia)