Santo
Santa Maria da Encarnação

Tours (França), 28 de outubro de 1599 · Quebec (Canadá), 30 de abril de 1672 · canonizada em 2014
- Educadoras e professoras
- Mães e viúvas
- Missionárias
“Eis-me aqui, Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra.”
Página em conferência. O texto foi redigido pelo portal a partir das fontes indicadas e ainda está sendo revisado; datas e detalhes podem ser ajustados.
Vida
Marie Guyart nasceu em Tours, filha de um padeiro. Desde menina sentia atração pela vida religiosa, mas, aos dezessete anos, os pais a casaram com Claude Martin, mestre em sedas. Teve um filho, também chamado Claude, e ficou viúva aos dezenove anos, com a oficina falida. Recusou novo casamento e foi trabalhar com a irmã e o cunhado, num negócio de transportes, onde chegou a dirigir os empregados e as contas.
Em 1620, teve uma forte experiência mística, que ela descreveu como ver os próprios pecados mergulhados no sangue de Cristo. Viveu anos de oração profunda no meio do trabalho. Em 1631, com o filho já com onze anos e confiado à família, entrou para as ursulinas de Tours e recebeu o nome de Maria da Encarnação. A separação foi dolorosíssima para os dois, e ela a carregou a vida toda. O filho, mais tarde, tornou-se monge beneditino e publicou as cartas e escritos da mãe.
Sentindo o chamado para a missão, partiu em 1639 para a Nova França com outras duas ursulinas e a benfeitora Madame de la Peltrie. Em Quebec, fundou o mosteiro das ursulinas e a primeira escola para meninas da América do Norte, acolhendo filhas de colonos franceses e de povos indígenas. Aprendeu línguas como o algonquino, o montanhês, o huron e o iroquês, e escreveu catecismos e dicionários nessas línguas. Morreu em 30 de abril de 1672. Foi beatificada por João Paulo II em 1980 e canonizada pelo papa Francisco em 3 de abril de 2014, por canonização equipolente.
Fontes: Suas duas Relações autobiográficas (1633 e 1654) e cerca de 13 mil cartas, das quais restam algumas centenas, publicadas pelo filho, dom Claude Martin, em 1677 e 1681; decreto de canonização equipolente (2014); Dicionário Biográfico do Canadá, verbete Guyart, Marie.
O que nos ensina
Maria da Encarnação ensina que a união profunda com Deus pode ser vivida em qualquer estado de vida: como esposa, mãe, viúva, mulher de negócios e religiosa. Ensina a coragem de ir ao encontro de outro povo, aprendendo a sua língua com paciência e respeito antes de ensinar. E mostra, com honestidade, que até as escolhas por Deus podem trazer dor, como a separação do filho, e que essa dor também pode ser oferecida.
Milagres
- Reconhecido
Cura examinada na beatificação
Para a beatificação de 1980, a Igreja reconheceu uma cura atribuída à intercessão de Maria da Encarnação. A canonização de 2014 foi equipolente, sem exigência de novo milagre.
- Tradição
Os sonhos com a Nova França
Ela conta, nos seus escritos, que viu em sonho uma terra distante, montanhosa e coberta de névoa, com uma pequena igreja, e que mais tarde a reconheceu como o Canadá. É um relato pessoal dela, acolhido pela tradição, sem exame formal.
“Reconhecido” = examinado nos processos de beatificação e canonização ou narrado nas fontes oficiais. “Tradição” = relato devoto, sem exame formal.
Curiosidades
- O bispo e orador Bossuet a chamou de "a Teresa do Novo Mundo", comparando-a a Santa Teresa de Ávila.
- O mosteiro das ursulinas de Quebec, fundado por ela, funciona até hoje como escola, uma das mais antigas da América do Norte.
- Suas cartas são uma fonte histórica valiosa sobre a vida na Nova França e sobre os povos indígenas do século XVII.
- Foi canonizada no mesmo decreto que São Francisco de Laval, primeiro bispo de Quebec.
- Conta-se que, quando ela entrou no convento, o filho foi com outros meninos até o portão gritando que lhe devolvessem a mãe.
Oração
Santa Maria da Encarnação, mulher de oração e de ação, que foste esposa, mãe, viúva, religiosa e missionária, ensina-nos a buscar a Deus em cada situação da vida. Intercede pelas mães e pelos filhos separados pela distância, pelas professoras e pelos que levam o Evangelho a outros povos com respeito. Que o nosso canto, como a tua vida, diga sempre: eis-me aqui, Senhor. Amém.
Oração redigida pelo portal Músico Católico.
Para retiro, encontro ou evento
- Tema
- Deus em todos os estados da vida
- Lema
- "Eis-me aqui"
- Leitura
- Lc 1,26-38 (sugerida)
- Público
- Mulheres, mães, educadores, grupos missionários, ministérios de música
- 1Reconhecer: olhar para a própria história (casamento, trabalho, perdas) e ver onde Deus estava presente.
- 2Oferecer: entregar a Deus uma escolha difícil ou uma separação que ainda dói.
- 3Aprender: pensar em alguém diferente de mim, cuja "língua" eu preciso aprender para anunciar o Evangelho.
Dinâmica: "Cartas da Encarnação", 40 min · papel de carta, envelopes, canetas. Cada um escreve uma carta a Deus contando a própria história, como ela fez nas suas Relações, e guarda para reler no fim do ano.
Quando celebrar
30 de abril · Fora do calendário · Branco
Não está no Calendário Romano Geral. No Canadá é memória facultativa (ou memória) em 30 de abril; nas comunidades ursulinas costuma ter grau maior. Confirmar no calendário da diocese.
Santuários e devoção
- Túmulo: Capela das Ursulinas de Quebec, na Velha Quebec (Canadá)
- Museu: Pôle culturel du Monastère des Ursulines, Quebec
- Terra natal: Tours (França), onde viveu e entrou para as ursulinas