Santo
Santa Margarida d'Youville

Varennes (Quebec, Canadá), 15 de outubro de 1701 · Montreal, 23 de dezembro de 1771 · canonizada em 1990
- Viúvas
- Mães que perderam filhos
- Pobres e abandonados
“Caríssimas irmãs, sede sempre fiéis aos deveres do estado que abraçastes, e sobretudo fazei que reine entre vós a união mais perfeita.”
Página em conferência. O texto foi redigido pelo portal a partir das fontes indicadas e ainda está sendo revisado; datas e detalhes podem ser ajustados.
Vida
Marie-Marguerite Dufrost de Lajemmerais nasceu numa família nobre e pobre da Nova França, colônia francesa no atual Canadá. Perdeu o pai aos sete anos e, mesmo assim, estudou dois anos com as ursulinas de Quebec. Voltou para casa para ajudar a mãe a criar os irmãos menores.
Em 1722 casou-se com François d'Youville. O casamento foi infeliz: o marido vivia ausente e enriquecia com o comércio ilegal de bebida alcoólica com os povos indígenas. Dos seis filhos, quatro morreram ainda pequenos. Ao ficar viúva, em 1730, aos 28 anos, herdou dívidas. Trabalhou como comerciante para pagá-las e criou os dois filhos que sobreviveram, que mais tarde se tornaram padres. Nesses anos de dor, aprofundou a fé e a confiança em Deus Pai, a quem chamava de Providência.
Começou a acolher pobres na própria casa e, em 31 de dezembro de 1737, com três companheiras, consagrou-se a Deus para servir aos necessitados. Foi alvo de zombaria: por causa do passado do marido, diziam que elas eram "grises", palavra francesa que significa tanto "cinzentas" quanto "embriagadas". O apelido ficou, e o hábito delas foi feito cinzento. Em 1747, assumiu o Hospital Geral de Montreal, falido, e o transformou em casa para idosos, doentes, órfãos e mulheres abandonadas. Em 1765, um incêndio destruiu o hospital; ela recomeçou do zero. Morreu em 23 de dezembro de 1771. Foi beatificada por João XXIII em 1959 e canonizada por João Paulo II em 1990, a primeira santa nascida no Canadá.
Fontes: Biografia escrita por seu filho, padre Charles-Madeleine Dufrost (século XVIII); atas do processo de beatificação e canonização; homilia do papa João Paulo II na canonização (9 de dezembro de 1990); arquivos das Irmãs da Caridade de Montreal.
O que nos ensina
Margarida ensina que o sofrimento pode virar compaixão. Viúva, endividada, mãe que enterrou quatro filhos, ela não se fechou na própria dor: abriu a casa e o coração a quem não tinha ninguém. Ensina a confiar na Providência de Deus Pai e a recomeçar depois das perdas, como fez depois do incêndio. Mostra também que a zombaria não precisa nos desviar do bem.
Milagres
- Reconhecido
Curas examinadas na beatificação e na canonização
Para a beatificação e a canonização, a Igreja reconheceu curas atribuídas à intercessão de Margarida d'Youville, entre elas a de uma mulher com leucemia.
- Tradição
O Te Deum sobre as cinzas
Conta a tradição das Irmãs Cinzentas que, diante das ruínas do hospital queimado em 1765, ela se ajoelhou com as irmãs e rezou o Te Deum, hino de ação de graças, certa de que Deus permitira aquela prova por um bem maior. O incêndio é histórico; os detalhes da cena vêm da memória da congregação.
“Reconhecido” = examinado nos processos de beatificação e canonização ou narrado nas fontes oficiais. “Tradição” = relato devoto, sem exame formal.
Curiosidades
- Era sobrinha-neta (ou parente próxima) do explorador Pierre Gaultier de La Vérendrye, pelo lado materno.
- As Irmãs Cinzentas se espalharam pelo Canadá e pelos Estados Unidos e deram origem a várias congregações independentes.
- O apelido "grises", que começou como insulto, virou o nome pelo qual as irmãs são conhecidas até hoje.
- Diz-se que ela tinha uma devoção especial a Deus Pai, algo raro na sua época, e que mandou pintar um quadro do Pai Eterno para a comunidade.
- Os dois filhos sobreviventes, François e Charles, foram ordenados padres.
Oração
Santa Margarida d'Youville, mãe dos pobres, que atravessaste a viuvez, as dívidas e o luto confiando na Providência do Pai, consola as viúvas, as mães que choram seus filhos e todos os que perderam tudo. Ensina-nos a transformar a dor em serviço e a recomeçar sem desanimar. Que a nossa comunidade seja casa para quem não tem casa, e o nosso canto, ação de graças em todo tempo. Amém.
Oração redigida pelo portal Músico Católico.
Para retiro, encontro ou evento
- Tema
- Da ferida à compaixão
- Lema
- "A Providência proverá"
- Leitura
- Mt 6,25-34 (sugerida)
- Público
- Grupos de mães, pastoral da consolação, pastoral social, ministérios de música, grupos de oração
- 1Reconhecer: em silêncio, nomear diante de Deus uma perda ou ferida que ainda dói.
- 2Confiar: ler devagar o Evangelho das aves do céu e entregar ao Pai essa ferida.
- 3Servir: escolher, em grupo, uma pessoa ou família sozinha para visitar ou ajudar na semana.
Dinâmica: "Te Deum nas cinzas", 40 min · um recipiente com areia ou cinzas, velas, papel. Cada um escreve uma dor, deposita no recipiente e acende uma vela ao lado. O grupo termina cantando um hino de ação de graças.
Quando celebrar
16 de outubro · Fora do calendário · Branco
Ela morreu em 23 de dezembro, perto do Natal; por isso a celebração foi fixada em outubro. Não está no Calendário Romano Geral. No Canadá é memória em 16 de outubro. Confirmar no calendário da diocese.
Santuários e devoção
- Túmulo: Santuário de Santa Margarida d'Youville, em Varennes (Quebec, Canadá), sua terra natal
- Montreal: Antiga Casa-Mãe e o local do Hospital Geral das Irmãs Cinzentas, na Velha Montreal