Santo
Santa Hildegarda de Bingen

Bermersheim (Alemanha), 1098 · Rupertsberg, perto de Bingen, 17 de setembro de 1179 · canonizada em 2012 · doutora da Igreja em 2012
- Músicos e compositores (devoção)
- Escritores
- Estudiosos das plantas e da saúde (devoção)
“A palavra designa o corpo, mas o canto manifesta o espírito.”
Página em conferência. O texto foi redigido pelo portal a partir das fontes indicadas e ainda está sendo revisado; datas e detalhes podem ser ajustados.
Vida
Hildegarda foi a décima filha de uma família nobre da região do Reno. Desde pequena dizia ver uma luz que chamava de "sombra da luz viva". Por volta dos oito anos foi confiada a Jutta de Sponheim, que vivia reclusa junto ao mosteiro beneditino de Disibodenberg. Ali aprendeu os salmos, o latim da liturgia e o canto. Fez os votos ainda adolescente e, em 1136, com a morte de Jutta, foi escolhida para guiar a comunidade das monjas.
Aos 42 anos sentiu a ordem interior de escrever o que via. Começou o Scivias ("Conhece os caminhos"), e em 1147 ou 1148 o papa Eugênio III, num sínodo em Trier, leu parte da obra e a encorajou a continuar. Por volta de 1150 fundou o mosteiro de Rupertsberg, perto de Bingen, e mais tarde o de Eibingen. Escreveu sobre teologia, sobre a natureza e a medicina, trocou cartas com papas, imperadores e bispos, e pregou em várias cidades, coisa rara para uma mulher do seu tempo.
Hildegarda é também uma das primeiras compositoras cujo nome e obra conhecemos. Reuniu cerca de 77 cantos litúrgicos na Symphonia armonie celestium revelationum e escreveu o Ordo Virtutum, um drama sacro todo cantado. Morreu em 17 de setembro de 1179, com 81 anos. O culto foi aceito por séculos na Alemanha, e em 2012 o papa Bento XVI estendeu-o a toda a Igreja (canonização equivalente) e a proclamou doutora da Igreja.
Fontes: Vita Sanctae Hildegardis, de Godofredo e Teodorico de Echternach (séc. XII); as cartas e as obras dela (Scivias, Liber vitae meritorum, Liber divinorum operum, Symphonia); Bento XVI, carta apostólica de proclamação como doutora da Igreja (7 de outubro de 2012) e catequeses de setembro de 2010.
O que nos ensina
Hildegarda ensina que toda a criação canta a glória de Deus e que o ser humano foi feito para entrar nesse canto. Para ela, a música da liturgia é eco da harmonia do Céu, e calar o louvor é obra do inimigo. Ensina também a unir fé e estudo, contemplação e trabalho, e a falar a verdade com coragem até aos poderosos. Para quem canta na missa, é lembrança de que o canto não enfeita a oração: ele é oração.
Milagres
- Tradição
Curas narradas na Vita
Os primeiros biógrafos contam curas de doentes e a libertação de uma jovem atormentada, Sigewiza, atribuídas à oração de Hildegarda. São relatos devotos do século XII; a canonização de 2012 foi equivalente, sem processo de milagre.
- Tradição
As visões da "luz viva"
Ela descreveu as visões nas próprias obras, e o papa Eugênio III a encorajou a escrevê-las. A Igreja reconheceu a doutrina dos seus escritos ao torná-la doutora, mas não se pronuncia sobre a natureza das visões.
“Reconhecido” = examinado nos processos de beatificação e canonização ou narrado nas fontes oficiais. “Tradição” = relato devoto, sem exame formal.
Curiosidades
- Os cantos dela foram gravados por vários conjuntos desde os anos 1980 e estão entre a música medieval mais ouvida hoje.
- O Ordo Virtutum tem cerca de 80 melodias e é um dos dramas musicais mais antigos que se conservaram.
- Inventou uma "língua desconhecida" (Lingua ignota), com cerca de mil palavras e um alfabeto próprio.
- Escreveu livros sobre plantas, pedras e doenças (Physica e Causae et curae), mas a "medicina de Hildegarda" vendida hoje mistura muito do que ela não escreveu.
- É uma das quatro mulheres doutoras da Igreja, com Santa Teresa de Ávila, Santa Catarina de Sena e Santa Teresinha.
- Quando o mosteiro sepultou um jovem excomungado que se arrependera, ela se recusou a desenterrá-lo e a comunidade ficou proibida de cantar por meses.
Oração
Santa Hildegarda, que ouviste a harmonia do Céu e a ensinaste à Igreja, desperta em nós o desejo de louvar a Deus com tudo o que somos. Livra os nossos ministérios da pressa e da vaidade, e dá-nos ouvidos atentos à voz do Senhor. Que o nosso canto seja verdadeiro, que a nossa vida combine com o que cantamos, e que toda a criação, conosco, bendiga o Criador. Amém.
Oração redigida pelo portal Músico Católico.
Para retiro, encontro ou evento
- Tema
- O canto que manifesta o espírito
- Lema
- "Tudo o que respira louve o Senhor" (Sl 150,6)
- Leitura
- Sl 150 e Ef 5,18-20 (sugeridas)
- Público
- Ministérios de música, corais, salmistas, grupos de jovens
- 1Silenciar: dez minutos sem música nem palavra, ouvindo os sons do lugar como parte da criação que louva.
- 2Escutar: ouvir uma antífona de Hildegarda (gravação) e partilhar o que ela desperta.
- 3Cantar: escolher um canto da próxima missa e rezá-lo devagar, palavra por palavra, antes de ensaiá-lo.
Dinâmica: "Ensaio rezado", 45 min · aparelho de som, letras dos cantos da próxima missa. O grupo lê cada letra em voz alta como oração, comenta uma frase e só depois canta.
Quando celebrar
17 de setembro · Memória facultativa · Branco
Incluída no Calendário Romano Geral como memória facultativa pelo decreto de 25 de janeiro de 2021 (junto com São Gregório de Narek e São João de Ávila). Conferir a data no Diretório da Liturgia da CNBB.
Santuários e devoção
- Relíquias: Igreja paroquial e de peregrinação de Santa Hildegarda, Eibingen (Rüdesheim, Alemanha)
- Mosteiro: Abadia de Santa Hildegarda, Eibingen, fundada de novo em 1904
- Origem: Ruínas do mosteiro de Disibodenberg (Alemanha)