Santo
Santa Genoveva de Paris

Nanterre (França), c. 420 · Paris, c. 500 a 502
- Paris
- Gendarmaria francesa
- Proteção contra calamidades e epidemias (título popular)
“Deus é nosso refúgio e nossa força, socorro sempre pronto nas aflições.”
Página em conferência. O texto foi redigido pelo portal a partir das fontes indicadas e ainda está sendo revisado; datas e detalhes podem ser ajustados.
Vida
Genoveva nasceu em Nanterre, perto de Paris, numa família galo-romana. Por volta de 429, quando tinha uns sete anos, São Germano de Auxerre, de passagem pela vila, notou a menina no meio do povo, conversou com ela e a abençoou, e ela consagrou a sua vida a Deus. Mais tarde, recebeu o véu das virgens consagradas e, depois da morte dos pais, foi morar em Paris com a madrinha.
Levava uma vida de oração e penitência que no início despertou desconfiança, até hostilidade. Em 451, quando os hunos de Átila avançavam sobre a Gália, os parisienses queriam fugir. Genoveva reuniu as mulheres para rezar e jejuar e convenceu a cidade a ficar e confiar em Deus. Átila desviou-se de Paris e seguiu para Orleans. Anos depois, durante o longo cerco de Paris pelos francos de Childerico, ela organizou barcos que subiram o Sena para buscar trigo e alimentar a cidade faminta.
Respeitada pelos próprios reis francos, intercedia por prisioneiros e condenados. Incentivou a construção de uma igreja sobre o túmulo de São Dionísio e teve influência sobre Clóvis e Clotilde, que mandaram erguer em Paris a igreja dos Santos Apóstolos, onde ela foi sepultada ao morrer, por volta de 500 a 502, já bem idosa. A igreja passou depois a levar o seu nome.
Fontes: Vida de Santa Genoveva (Vita Genovefae), escrita por volta de 520, menos de vinte anos depois da morte dela; Gregório de Tours, História dos Francos (século VI); Martirológio Romano, 3 de janeiro.
O que nos ensina
Genoveva ensina que a oração é uma força real diante do medo coletivo. Quando todos queriam fugir, ela chamou a cidade a rezar e permanecer, e depois arriscou-se para levar comida aos famintos. Ensina que a fé não tira ninguém do mundo: faz cuidar da cidade, dos pobres e dos presos. E mostra que uma mulher simples, sem cargo nenhum, pode ser a consciência de um povo inteiro.
Milagres
- Tradição
Paris poupada por Átila
Em 451 o exército dos hunos não atacou Paris, como Genoveva tinha anunciado. O desvio de Átila para Orleans é fato histórico; atribuí-lo à oração de Genoveva é leitura de fé da Vida antiga e da tradição de Paris.
- Tradição
O milagre dos Ardentes
Em 1129, uma epidemia chamada "mal dos ardentes" (provavelmente intoxicação pelo esporão do centeio) devastava Paris. As relíquias de Genoveva foram levadas em procissão até a catedral de Notre-Dame, e a tradição conta que os doentes foram curados e a epidemia cessou. O papa Inocêncio II, presente na França, aprovou uma festa em memória do fato, mas não houve exame no sentido atual.
- Tradição
A vela reacesa
Conta-se que, indo rezar de noite, o demônio apagava a vela que ela levava, e um anjo a reacendia. É uma lenda devocional, origem da vela que ela segura em muitas imagens.
“Reconhecido” = examinado nos processos de beatificação e canonização ou narrado nas fontes oficiais. “Tradição” = relato devoto, sem exame formal.
Curiosidades
- A igreja onde estava o seu túmulo foi substituída no século XVIII por uma nova igreja de Santa Genoveva, que durante a Revolução Francesa virou o Panteão, onde estão sepultados grandes nomes da França.
- Em 1793, durante a Revolução, seu relicário foi derretido e os restos queimados em praça pública. O que sobrou do túmulo de pedra é venerado na igreja de Saint-Étienne-du-Mont, ao lado do Panteão.
- Em 1962, o papa São João XXIII declarou-a padroeira da Gendarmaria francesa, a polícia militar do país.
- Por séculos, em tempos de enchente, seca ou epidemia, Paris levou o relicário dela em procissão pelas ruas.
- Não confundir com Santa Genoveva Torres Morales, religiosa espanhola do século XX, que também tem página neste portal.
Oração
Santa Genoveva, que diante do medo chamaste o teu povo a rezar e confiar em Deus, protege as nossas cidades das calamidades, das epidemias e da violência. Ensina-nos a não fugir dos irmãos na hora da provação, a alimentar os famintos e a interceder pelos presos. Que a luz da tua vela, que nenhum vento apagou, mantenha acesa a nossa fé. Amém.
Oração redigida pelo portal Músico Católico.
Para retiro, encontro ou evento
- Tema
- Ficar e rezar: a fé que cuida da cidade
- Lema
- "Deus é nosso refúgio e nossa força"
- Leitura
- Jn 3,1-10 (sugerida)
- Público
- Grupos de oração, intercessores, pastorais sociais, jovens, ministérios de música
- 1O medo: do que eu tenho vontade de fugir hoje? Escrever e entregar a Deus em silêncio.
- 2A intercessão: rezar juntos pela cidade: bairro, autoridades, doentes, presos, quem tem fome.
- 3O trigo: escolher uma ação concreta pela cidade, como arrecadar alimentos ou visitar quem está sozinho.
Dinâmica: "A vela que não se apaga", 30 min · velas pequenas e um mapa da cidade. Cada um acende uma vela, coloca sobre o mapa num lugar pelo qual quer interceder e diz em voz alta o pedido.
Quando celebrar
3 de janeiro · Fora do calendário · Branco
Está no Martirológio Romano em 3 de janeiro, dia da memória facultativa do Santíssimo Nome de Jesus. Em Paris, é celebrada com solenidade como padroeira da cidade.
Santuários e devoção
- Relíquias: Igreja de Saint-Étienne-du-Mont, Paris, com o que resta do seu túmulo
- Panteão: Panteão de Paris, antiga igreja de Santa Genoveva, com os murais de Puvis de Chavannes
- Terra natal: Catedral de Santa Genoveva e São Maurício, Nanterre (França)